Empreiteiras dão 44% da verba de campanha usada por Alckmin

Empresas com interesse em grandes obras, como novas linhas de metrô, são as principais doadoras do tucano

Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

02 Novembro 2010 | 00h00

Empreiteiras com interesses em obras públicas foram as principais financiadoras da campanhas de Geraldo Alckmin (PSDB), governador eleito de São Paulo. De acordo com a prestação de contas encaminhada à Justiça Eleitoral pelos organizadores da campanha do tucano, de um total de R$ 34,2 milhões arrecadados, cerca de R$ 15,2 milhões (44% do total) foram doados pelas empreiteiras.

O relatório de Alckmin sobre o financiamento de campanha era o mais completo enviado até ontem à Justiça Eleitoral, podendo ser acessado no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele informa que cerca de 35 construtoras - entre grandes, médias e pequenas - deram dinheiro para a jornada eleitoral tucana.

Isoladamente, a maior doação, no valor de R$ 2,5 milhões, partiu da Camargo Corrêa, empresa que fez parte do consórcio responsável pela construção da Linha 4-Amarela do Metrô e também participou do Rodoanel - as duas obras mais importantes e mais caras concluídas há pouco no Estado.

A segunda maior doação para o caixa tucano, no valor de R$ 1,2 milhão, saiu da Mendes Junior. As construtoras CR Almeida, Egesa, OAS e Leão e Leão contribuíram com R$ 1 milhão cada.

As empreiteiras não mostraram o mesmo entusiasmo pela campanha do senador Aloizio Mercadante (PT), que desde as primeiras pesquisas sobre intenção de voto aparecia com poucas chances de chegar ao Palácio dos Bandeirantes. Mas, ainda assim, elas foram as principais financiadoras da campanha - de acordo com a prestação de contas que o petista enviou às autoridades eleitorais.

Ele informa que, de um total de R$ 20,2 milhões recolhidos aos cofres do PT paulista, R$ 5,9 milhões (30%) saíram de empreiteiras. A Camargo Corrêa também liderou a lista dos doadores de Mercadante, com um total de R$ 4 milhões.

Esta foi a única construtora que ofereceu ao candidato do PT um valor maior que o destinado ao tucano, o franco favorito. No caso da OAS, a doação para Mercadante foi exatamente a metade da destinada a Alckmin.

Bancos. No setor financeiro, a contribuição mais destacada foi a do Banco Itaú, que destinou R$ 1 milhão para Alckmin e outro tanto para Mercadante. Outras grandes instituições do setor, como Bradesco, Santander e HSBC, não aparecem nos relatórios encaminhados até agora à Justiça Eleitoral pelos candidatos ao governo paulista.

O grupo Pão de Açúcar, presidido pelo empresário Abilio Diniz, que admite publicamente ter votado em Dilma Rousseff (PT) para a Presidência, também destinou exatamente a mesma quantia para os dois candidatos ao governo paulista. Sob o nome oficial da empresa, Companhia Brasileira de Distribuição, os relatórios registram R$ 200 mil para cada um deles.

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