Empresa de SP também recebia resíduos

A CBR, de Guarulhos, diz ter se surpreendido ao ver dejetos industriais em vez de plástico

Adriana Carranca, O Estadao de S.Paulo

22 Julho 2009 | 00h00

Entre as empresas compradoras do lixo enviado irregularmente da Inglaterra para o Brasil está uma companhia paulista. A Central Brasileira de Reciclagem (CBR), de Guarulhos, seria o destino de parte das 970 toneladas de lixo encontrados no Porto de Santos em 41 contêineres trazidos pelas importadoras Estefenon e Alfatech, de Bento Gonçalves (RS). A CBR disse ter levado "gato por lebre". Na nota fiscal de compra consta polímero de etileno (plástico para reciclagem), mas ao abrir os contêineres, veio a surpresa: um lixo sujo que incluía embalagens de produtos químicos industriais, bombonas para transporte de corrosivos, óleo queimado, tinta, cápsulas de gás e eletrônicos. Durante vistoria no galpão da empresa, ontem, fiscais do Ibama encontraram parte do lixo importado, um indicativo de que outras remessas, além do que fora localizado em contêineres nos Portos de Santos (SP), Rio Grande (RS) e na Alfândega de Caxias do Sul (RS) podem ter entrado no País anteriormente. No total, até agora, os fiscais do Ibama identificaram 89 contêineres com lixo trazido irregularmente da Inglaterra para os três destinos no Brasil. Além do lixo importado, os fiscais do Ibama encontraram outras irregularidades. A CBR não teria licença da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), ligada à Secretaria de Estado do Meio Ambiente, para operar no local e não consta no Cadastro Técnico Federal de Atividades Potencialmente Poluidoras ou Utilizadoras de Recursos Ambientais e do Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumento de Defesa Ambiental do Ibama. A empresa foi multada em R$ 5 mil e lacrada. "Embora estejam parcialmente irregulares, tudo indica que a CBR tenha sido realmente enganada na compra desse lixo. Como na carga encontrada no Rio Grande do Sul, o material importado estava misturado a recicláveis nacionais, numa forma de camuflar sua origem", disse uma fonte da área ambiental ligada ao governo, que participa das investigações. "Eles (CBR) foram os primeiros a denunciar a fraude e desde o início estão colaborando com as investigações." Representantes da CBR não foram localizados em nenhum dos números de telefones da empresa, ontem, para comentar o assunto. Ontem, o delegado Sandro Pataro, da Polícia Federal de Santos, entrou com uma representação junto à Justiça Federal para que as medidas necessárias para a devolução dos contêineres sejam agilizadas. Os contêineres importados vieram dos portos ingleses de Tilbury e Felixstowe e estavam abandonados em dois terminais alfandegados, Santos Brasil e Localfrio, no Guarujá. Segundo a chefe do Ibama em Santos, Ingrid Maria Furlan Oberg, as empresas importadoras e transportadoras, assim como a Agência Ambiental do Reino Unido, já deram entrada nos trâmites administrativos para levar a carga de volta. A exportação de lixo doméstico para o Brasil viola a Resolução 23 do Conama e a Convenção Internacional da Basileia, da qual o país é signatário, e é crime ambiental.

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