Empresa enviou 80 fuzis ao Bope pelos Correios

A Indústria de Material Bélico do Brasil (Imbel) tentou burlar a legislação ao enviar pelos Correios 80 fuzis para o Batalhão de Operações Especiais (Bope). Uma portaria editada pelo Departamento de Logística do Exército, em 2007, estabelece que o transporte de armas de fogo por Sedex deve limitar-se a cinco unidades, em caso de espingarda, fuzil ou carabina. De fato, a Imbel acondicionou as armas em embalagens com cinco fuzis - mas enviou 16 pacotes de uma só vez. As armas chegaram na tarde de sexta-feira.A subsecretária de Gestão Estratégica, Suzy Avelar, que assinou o contrato entre a Secretaria de Segurança Pública e a Imbel, enviou ofício à empresa, cobrando explicações e informando que foi aberto processo administrativo para apurar "eventual inexecução contratual". A empresa tem cinco dias úteis para responder.No documento, Suzy Avelar lembra que a escolta fornecida pela Imbel na primeira remessa de fuzis 762 foi considerada insuficiente e o Bope solicitou reforço na equipe que acompanharia o carregamento. Em nota, a Secretaria de Segurança afirmou já ter comprado carros blindados, cabines, coletes e munição. "Nunca uma compra da secretaria teve a orientação de ser enviada pelos Correios." O contrato com a Imbel prevê a entrega de outros 240 fuzis e 20 armas e não será suspenso porque o Bope precisa do equipamento com urgência. A Imbel tem exclusividade de fornecimento no Brasil. Mas o secretário, José Mariano Beltrame, estuda a possibilidade de comprar armamentos por licitação internacional.A Assessoria de Imprensa dos Correios destacou que nenhum carteiro transporta armas. A remessa é feita segundo normas estabelecidas, só para determinados órgãos e com logística especial, que inclui guia de tráfego. São enviadas até dez armas, como pistolas e revólveres, ou cinco fuzis de uma vez.

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