Empresa farmacêutica sofreu nove assaltos no ano

Em apenas sete meses, a Altana Pharma já registrou nove assaltos a suas cargas de medicamentos. O último foi informado na sexta-feira, e o pior de todos ocorreu no dia 12, em Campinas (SP), causando o maior prejuízo à empresa, de R$ 1 milhão. O diretor de estratégia e projetos e porta-voz da empresa alemã no Brasil, David Zimath, informou que o prejuízo foi total, porque a mercadoria não estava segurada. "O risco é tão grande que as seguradoras cobram um prêmio altíssimo, a ponto de não compensar a contratação do seguro", disse o executivo. A Altana Pharma é a nova denominação da Byk Química e Farmacêutica.Os medicamentos produzidos pela Altana Pharma em Jaguariúna (SP) seguem da fábrica até a distribuidora Unidox, com sede em Alphaville, em Barueri (SP). Dali, os lotes são divididos e viajam de caminhão para cerca de 130 outros pontos de distribuição em todo o País. Os outros sete roubos de cargas da Altana Pharma se deram nesses tipos de viagem, quando os lotes são pulverizados. Por isso, explicou Zimath, o prejuízo foi menor.No último dia 12, o assalto aconteceu quando os lotes inteiros estavam sendo transportados até a distribuidora. "Este foi o único caso de perda exclusiva da carga da Altana Pharma, e tem todas as características de roubo sob encomenda", acusou David Zimath.Na carga, encontravam-se 8.454 bisnagas de 100 gramas de Reparil gel (lote 206050); 62.209 frascos-ampolas de Optacilin 500 (lote 206096); 17.849 caixas com 30 comprimidos cada de Tebonin 40 mg (lote 205046); e 29.148 caixas com 20 drágeas cada de Eparema (lote 205050).Os números dos lotes desaparecidos foram comunicados à Secretaria Municipal de Saúde - Vigilância Sanitária, de Jaguariúna (SP) e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que sejam monitorados e apreendidos caso apareçam no mercado varejista brasileiro.Essa lógica tem duas bases: os lotes mal conservados pelos bandidos podem apresentar problemas ao consumidor; além disso, os lotes perdidos representam duplo prejuízo à Altana Pharma caso venham a ser vendidos no mercado, porque representam quantidade igual de futuras vendas que a empresa poderia fazer ao varejo. "No Brasil, o caso de roubo de cargas é escandaloso. Em outros países onde atuamos, também há fraudes e roubo, mas não na proporção daqui", observou David Zimath.Das 21 cargas roubadas em 2001 e neste ano, a polícia brasileira conseguiu encontrar apenas parte de uma, desovada em terreno baldio de Diadema (SP). A carga foi inutilizada porque a empresa não sabia se os medicamentos haviam sido adulterados ou passado por condições de temperatura inadequadas à conservação.A Altana Pharma é controlada pela multinacional alemã Altana AG. A empresa investiu US$ 56 milhões na construção de um moderno laboratório para a produção de medicamentos de venda livre, em Jaguariúna. O empreendimento é tão grande que, na cidade, foi apelidado de "Taj Mahal". No terreno, há espaço para a implantação de vários novos módulos da indústria.

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