Empresa gigante também financiou micropartidos

A prestação de contas do PSC, um dos integrantes da coligação que elegeu Dilma Rousseff, chama a atenção não apenas pelo repasse de R$ 4,75 milhões feito pelo PT durante a campanha, mas também pelas vultosas doações feitas pelo grupo JBS.

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2011 | 00h00

A empresa, com atuação concentrada na produção de carnes, doou em 2010 R$ 4 milhões para o diretório nacional da legenda, que havia conquistado apenas nove vagas na Câmara dos Deputados em 2006 e cujos principais líderes se destacam no setor evangélico. Para o diretório do PSDB, em comparação, foram R$ 8,2 milhões - o partido, além de ter na época um candidato competitivo na disputa pela Presidência, havia obtido 66 cadeiras na Câmara em 2006.

Consultada sobre a disparidade, a assessoria de imprensa do JBS afirmou que as doações ao PSC e a outros pequenos partidos - PRB e PTC também foram contemplados, com valores menores - foram feitas a pedido do comando da campanha de Dilma. Ou seja, os petistas não apenas fizeram transferências diretas de recursos aos aliados, como também os ajudaram a arrecadar doações privadas.

João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, disse ao Estado que o partido jamais intermediou doações de empresas a outras legendas. Mas ele ressalvou falar apenas pelo PT, e não pela campanha de Dilma. José de Filippi, deputado federal por São Paulo e tesoureiro da campanha, não respondeu às ligações da reportagem a seu celular.

Isonomia. O pastor Everaldo Dias Pereira, vice-presidente do PSC, também negou relação entre o PT e as doações feitas pelo JBS.

Dias ressaltou que, ao fechar o acordo com o PT para apoiar Dilma, pediu apenas "isonomia" com o PC do B, um partido de tamanho semelhante e que, no entanto, detinha um ministério e outros cargos importantes no governo. "Havíamos passado quatro anos apoiando o governo Lula e nem sequer tínhamos um contínuo indicado pelo partido", disse ele.

Segundo o pastor, o PSC também exigiu mudanças na política externa de um eventual governo Dilma. "Não queríamos privilégios para os inimigos de Israel", explicou. "Todo evangélico gosta de Israel."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.