Empresa ligada a PMDB tem imagens de ministério

Segundo ex-servidor, cenas captadas pelo circuito interno comprovariam que Rossi conhecia lobista; gravações antigas foram apagadas, explica pasta

Felipe Recondo e Leandro Colon,

18 Agosto 2011 | 00h42

Apontada como principal prova material que poderia ligar o ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi (PMDB) ao lobista Júlio Fróes, as imagens do sistema de segurança do ministério estão sob a guarda de uma empresa ligada ao PMDB.

A Juiz de Fora Vigilância Ltda. pertence a Nelson Ribeiro Neves, que é sócio do senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) na Manchester Serviços Ltda., empresa que também tem contrato com o Ministério da Agricultura. Eunício é o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e tesoureiro do PMDB, que indicou o ministro da Agricultura.

Segundo o ministério, foram apagadas as imagens mais antigas do circuito interno da sede da pasta em Brasília, que poderiam confirmar as denúncias feitas pelo ex-presidente da Comissão de Licitação Israel Batista sobre a ação do lobista. Fróes é apontado como influente dentro do ministério, distribuidor de propina e organizador clandestino de licitações na pasta.

As imagens mais recentes das dependências da sede da Agricultura, e que ainda não foram apagadas, serão encaminhadas à Polícia Federal. Uma delas, conforme diz o próprio ministério, mostra Fróes chegando ao prédio pela entrada privativa, cumprimentando o segurança e logo depois saindo.

Não há informações se nas imagens haveria um possível encontro de Fróes com o ex-ministro. Pelo relato de Batista à Polícia Federal, Fróes entrava no prédio pela portaria privativa do ministro e seguia para os andares onde ficavam os gabinetes de Wagner Rossi e do ex-secretário-executivo Milton Ortolan, que pediu demissão após a revista Veja vinculá-lo ao lobista.

Batista disse desconfiar que as imagens do sistema de segurança podem ser editadas ou apagadas na tentativa de livrar o ex-ministro das denúncias de envolvimento com o lobista. "As imagens são subordinadas ao ministro. Meu medo é que sejam cortadas. O problema é esse", afirmou ao Estado antes do anúncio da demissão de Rossi.

De acordo com Batista, Ortolan e a coordenadora-geral de Logística do Ministério, Karla Renata França, teriam determinado, em agosto do ano passado, que uma sala com computador e telefone fosse reservada para o lobista "fazer um trabalho na comissão de licitação".

Gravações. Todo o material está sob os cuidados da Juiz de Fora Empresa de Vigilância Ltda. Juiz de Fora e a Manchester - da qual Eunício é sócio - são uma espécie de "co-irmãs" da terceirização. Dividem, por exemplo, o mesmo endereço no Rio de Janeiro. Os sites das duas na internet informa o mesmo endereço também em Brasília. Hoje, atuam em prédios separados. Mas o vigia da guarita da Manchester usa o crachá da Juiz de Fora. O sócio Nelson Neves é o escalado por Eunício para dar entrevistas sobre os contratos da Manchester, personagens de recentes contratos suspeitos com a Petrobrás, conforme revelou o Estado. O senador alega que o sócio é quem toca os negócios.

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