Empresa não muda nem aviso pelo alto-falante

Passageiro que voou para Cuiabá afirma que ?conexão? em Rio Preto é ?subterfúgio? da TAM

O Estadao de S.Paulo

04 de novembro de 2007 | 00h00

No vôo de terça-feira com destino a Cuiabá e "conexão" em São José do Rio Preto, em nenhum momento os funcionários da TAM tentaram disfarçar o expediente usado pela companhia para driblar a portaria que impede trajetos longos, partindo do Aeroporto de Congonhas. Pelo contrário. No salão de embarque, uma funcionária da TAM anunciava pelo sistema de som: "E atenção para a chamada para o vôo 3740 com destino a São José do Rio Preto, Cuiabá, Sinop, Alta Floresta, Ji-Paraná e Vilena. Embarque iniciado no portão de número 15." Nenhuma menção sobre conexão em Rio Preto. Os destinos após Cuiabá seriam operados por outras empresas.Até os passageiros estranharam a possibilidade de voar para destinos não permitidos pelo Conselho Nacional de Aviação (Conac). "Eles falam em uma conexão que não existe", disse o pecuarista Ovídio Brito, de 33 anos, que vai pelo menos uma vez por mês para Cuiabá. "A gente nem saiu do avião!"O engenheiro paulistano Sérgio Kato, de 33 anos, que mora em Cuiabá, disse ter percebido que a "conexão" em Rio Preto era um "subterfúgio" da companhia. "A agência de turismo (onde ele comprou o bilhete) disse que, havendo escala, o vôo é permitido. Eu duvidei, mas para mim é melhor sair de Congonhas", disse Kato. Quando está em São Paulo, ele se hospeda na zona oeste, mais perto de Congonhas que de Cumbica."Comprei o bilhete pensando que sairia de Guarulhos e achei esquisito quando me informaram que o avião partiria de Congonhas", disse o comerciante Airton Gurgacz, de 50 anos, que, de Cuiabá, seguiria até Ji-Paraná (RO). Mas ele disse não estranhar. "Os caras são sabidos, sempre descobrem um jeitinho. Aqui vocês chamam isso de malandragem. Lá na Amazônia, chamamos de jiriquita."A notícia de que não é permitido descer do avião na conexão, como ocorreu no vôo de terça-feira da TAM entre Salvador e São Paulo, deixa alguns passageiros revoltados. Com medo de ficar uma hora dentro do avião - tempo de duração das supostas conexões -, a professora Sônia Maria Silva, de 54 anos, irritou-se com a TAM. "É um absurdo não poder descer do avião, ter de ficar aqui no meio da limpeza. Essa crise aérea não resolve nunca." Para acalmá-la, o comandante prometeu que a conexão não passaria de 30 minutos. Desconfiada, Sônia cronometrou. Em menos de 35 minutos o avião estava decolando.

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