Aldenio Soares
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Empresa que explodiu em Roraima não tinha alvará de funcionamento e laudo dos Bombeiros

A tragédia deixou quatro mortos; três deram funcionários que abasteciam cilindros de gás no momento do acidente

Cyneida Correia, Especial para O Estado

16 de outubro de 2019 | 23h54

BOA VISTA - O diretor da Defesa Civil de Roraima, Cleudiomar Ferreira, afirmou nesta quarta-feira, 16, que a empresa de gás e oxigênio que explodiu, no centro de Boa Vista, estava com o auto de vistoria vencido. A tragédia aconteceu no dia anterior e deixou quatro mortos: três funcionários e um cliente.

Segundo Ferreira, o auto de vistoria é necessário para certificar que a empresa segue regras estaduais de combate e prevenção de eventuais incêndio. Ele, no entanto, afirmou que o acidente não teria sido provocado por falta de sistema de prevenção.

“Mesmo que a empresa estivesse com laudo em dia, não seria possível evitar o acidente, que não foi provocado pela falta de sistema de prevenção de incêndio, tanto é que os primeiros combates foram feitos usando o sistema de hidrante da própria empresa”, disse.

Bombeiros buscam imagens do sistema de segurança a para verificar o momento em ocorreu a primeira explosão. “É importante saber o que provocou a explosão dos cilindros”, afirmou o diretor da Defesa Civil. As áreas afetadas pelas explosões ainda não foram mapeadas, mas algumas casas e empresas próximas apresentaram danos, de acordo com Ferreira.

A distribuidora também não possuía alvará de funcionamento, segundo a procuradora-geral do município, Marcela Queiroz. Em entrevista coletiva, ela confirmou que fiscais ambientais fizeram vistoria na empresa, o que não impediu o seu funcionamento. Apesar disso, nenhuma notificação ou multa foi aplicada aos responsáveis.

“Nessa mesma época, os fiscais ambientais fizeram a vistoria da empresa e averiguaram a venda do gás, mas não a manutenção de cilindros e recargas ou atividades que mais se parecem com serviços industriais", disse. "Mesmo assim, a licença ambiental foi negada até que a empresa apresentasse a vistoria e o laudo favorável pelo Corpo de Bombeiros, o que não aconteceu.”

Três corpos já foram liberados pelo Instituto Médico Legal (IML): Emanoel Batista da Silva, 60 anos, Yoris de Jesus Rodrigues Achacoa, de 54, e Plinio Ricardo Anderson Schuertz, de 42.

Já a quarta vítima, o jovem Ariel Mateus da Silva, de 20 anos, que teve o corpo desmembrado por causa da explosão, ainda não foi liberado à família.  Os restos mortais vão passar por análise de DNA. Ele estava trabalhando na empresa há pouco tempo e tinha planos de sair de lá para conseguir um emprego melhor, segundo uma tia.

O advogado da Oxigênio Centro Norte disse que a empresa deve se manifestar nesta quinta, 17, sobre o assunto. "Estamos dando todo apoio aos familiares das vítimas, além de estarmos colaborando com as autoridades para esclarecer o que ocasionou tal tragédia", informou, em nota.

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