Empresária é presa por torturar menina que adotou em Goiás

Além da empresária, outros dois filhos e o marido também podem ser acusados por omissão

Rubens Santos, especial para O Estado de S.Paulo,

17 de março de 2008 | 22h09

A empresária Silvia Calabresi Lima, de 42 anos, que mantinha há dois anos uma menina em cativeiro dentro de seu apartamento no elegante Setor Marista, um bairro nobre de Goiânia, foi presa nesta segunda-feira, 17, em flagrante sob acusação de tortura e cárcere privado. A menina que tem 12 anos de idade, foi adotada pela empresária em 2006 e, aparentemente, mantinha boas relações com a mãe biológica de Maria Vitória (nome fictício), que trabalhou para ela como doméstica. "Ela me afogava no tanque, apertava a minha língua com alicate, enfocava com fio, e me deixava amarrada na área de serviço", disse a menina, cujo nome foi definido como Maria, por ser comum, e Vitória por ter sido libertada. A prisão da empresária foi efetuada pela delegada Adriana Accorsi, titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). "Nunca vi um caso assim", comentou a delegada, que apreendeu no apartamento instrumentos como alicate de unha, que teriam sido usados para ferir a menina na língua, costas, mãos e pés. "Ela foi denunciada por vizinhos", disse Accorsi. Além da empresária, no apartamento moravam três filhos dela - todos meninos, um deles menor, de seis anos de idade - e o marido, o engenheiro civil Marco Antonio Calabresi Lima. Todos eles, com exceção do menor, poderão responder a inquérito por omissão, segunda a Polícia, pois sabiam das sessões de tortura mas não impediram. Um dos filhos da empresária, inclusive, é estudante de engenharia. Mas, comentou, todos temiam a agressividade da mãe. A Policia também prendeu a empregada da casa, Vanísia, que se defendeu: "Ela me mandava amarrar a menina e passar pimenta nela", disse na Delegacia. Na hora da invasão do apartamento, a menina foi encontrada com o olho roxo e apresentava um corte na língua.  A adoção A menina Maria Vitória, segundo a mãe biológica disse para o Estado, foi dada em adoção para, assim, ter uma família, estudar e "crescer na vida". O que ela não sabia era do preço das conquistas: "Nunca imaginei que a Dona Silvia faria uma coisa dessas", disse. Segundo a Policia, a adoção foi irregular e, por isso, a menina foi conduzida a um abrigo do Conselho Tutelar. Nos levantamentos policiais já se descobriu, por exemplo, que desde o ano passado Maria Vitória não freqüentava a escola. "É impossível não se comover com o caso da menina", afirmou a delegada da DPCA, Adriana Accorsi. "Não é um caso comum, mas, infelizmente, nós acreditamos que existam outras situações como essas, de adoções irregulares seguidas de maus-tratos", afirmou. A empresária pode ser condenada a mais de 20 anos de prisão. Ela foi proprietária de loja de confecções e construiu casas, de luxo, no bairro Celina Park, em Goiânia, para a classe média-alta. Porém, segundo o perfil montado por pessoas ligadas a ela, vizinhos e clientes localizados, ela apresenta um comportamento agressivo e, no passado, foi criada por uma mãe adotiva.

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