Empresária pára fábrica e empresta gerador para hospital de SC

Maior camisaria da América Latina suspende atividades e empresta gerador a hospital de Luiz Alves

Renato Machado, de O Estado de S. Paulo,

27 de novembro de 2008 | 12h03

A empresária Sônia Hess pode perder milhões de reais em decorrência de uma decisão tomada na segunda-feira. Mas ela é firme ao dizer que não se arrepende. "Não dá para pensar em economia numa hora como essas, em que só se vê desgraças", diz. Mesmo com prazos de entrega apertados, a camisaria da família, a Dudalina, a maior da América Latina, suspendeu as atividades em Luiz Alves e emprestou o gerador de energia elétrica para manter o funcionamento do hospital da cidade.   Veja também: SC já recebeu mais de R$ 1,2 mi em doações Tragédia em Santa Catarina  Blog: envie seu relato sobre as chuvas  Veja galeria de fotos dos estragos em SC   Todas as notícias sobre as vítimas das chuvas    A pequena Luiz Alves - município de aproximadamente 10 mil habitantes no Vale do Itajaí - não sofreu com as inundações, mas os desmoronamentos de terra mataram pelo menos quatro pessoas e deixaram a cidade isolada até o final da tarde da quarta-feira, 26. Também houve corte no abastecimento de água e energia elétrica. Por causa do empréstimo do gerador, o hospital conseguiu manter refrigerado alimentos para os pacientes e manteve toda a aparelhagem médica em funcionamento. "Nós vamos dar um jeito para honrar nossos compromissos, fazendo hora extra quando voltar ao normal, transferindo a demanda para outras fábricas, mas não podíamos fazer nada diferente disso", diz Sônia.   Além do gerador, a família Hess também ofereceu uma propriedade na cidade para funcionar como base do exército para as operações de resgate e também de abrigo para as pessoas que perderam suas casas. Foi em Luiz Alves que a fundadora da empresa, Adelina Hess, começou o empreendimento que atualmente tem como base Blumenau e fábricas em outras cidades catarinenses e no Paraná. Em Luiz Alves, a cidade mantém uma casa com artigos da história da família, uma espécie de pequeno museu. O jardim bem cuidado agora é usado para pousos e decolagens dos helicópteros que vão atrás de pessoas isoladas por causa dos desmoronamentos.   A fábrica de Blumenau está operando com 30% da sua capacidade. O refeitório foi danificado com a chuva e, como está localizada em um morro, peritos estão analisando se há riscos. Além disso, muitos funcionários não retornaram para o trabalho e a família busca informações. "Ficamos sabendo de uma funcionária de Luiz Alves que perdeu o bebê. Não dá para acreditar", diz Sônia, que voltou estava fora de Blumenau no final de semana, mas voltou logo em seguida para saber notícias de sua cidade. "Essa foi a coisa mais horrível que já vi. Eu não imaginava que veria isso em Blumenau, a cidade que eu adorava por ser verde e linda, mas que hoje está marrom e descascada".

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