Empresário acredita ter sofrido tentativa de homicídio

"Não tenho a menor dúvida de que alguém agiu a mando de outro para tentar me matar." Assim o empresário e presidente do Instituto São Paulo Contra a Violência (ISPCV) e do Transparência Brasil, ambas organizações não-governamentais, Eduardo Capobianco, classificou a ação sofrida anteontem por dois homens, quando teve uma perna baleada por duas vezes.Ele não descartou a possibilidade de a tentativa de homicídio ter partido de alguma organização criminosa prejudicada pelo Disque-Denúncia, central de atendimento mantida pelo ISPCV. "Nunca pensei que o Disque-Denúncia pudesse despertar a ira de alguém", disse hoje, em entrevista coletiva. "Mas essa é a única atividade mais concreta que realizo contra o crime", complementou.Para ele, bandidos presos recentemente por contatos do Disque-Denúncia e, principalmente, criminosos fugitivos de presídios devem ser investigados. "Pode haver uma conexão", avaliou. Com pouco mais de um ano de existência, o Disque-Denúncia já recebeu 31 mil denúncias por pessoas que mantêm o anonimato, garantindo a prisão de mil criminosos, além de solucionar 401 casos, 43% deles de tráfico de drogas. "Espero que o Disque-Denúncia ajude-me agora a resolver esse caso", afirmou.Na avaliação do presidente do ISPCV, a tentativa de criminosos de matá-lo é uma demonstração de que o trabalho do instituto e, principalmente, da polícia do Estado de São Paulo, está surtindo efeito positivo. "Se os criminosos estivessem tranqüilos, não fariam ações como essa contra mim e a outra, do mês passado, contra o promotor", afirmou, referindo-se ao atentado ao promotor de Justiça Roberto Porto, ocorrido no dia 12 de novembro, em São Paulo."Concordo com o trabalho que vem sendo feito pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo", manifestou.DescriçãoCapobianco relatou que ao ser abordado na frente de seu escritório, chegou a oferecer sua pasta e seu carro ao homem que saltou de uma moto acompanhado de outro. "Eu disse para ele (o atirador) ter calma e ficar com o que quisesse. Ele não me pediu nada. Apenas afirmou para que eu abaixasse a pasta que estava em minhas mãos", contou.O empresário não baixou a pasta e o bandido realizou o primeiro disparo. "O tiro acertou minha pasta, o que salvou a minha vida", afirmou. Dentro dela, o empresário possuía papéis e um exemplar do livro "Governança Corporativa", de João Bosco Lodi, que possui 190 páginas. "A pasta e o livro retiveram a bala."Após o disparo, o empresário saiu correndo do estacionamento em frente ao prédio em que trabalha. "Só ouvia os tiros. Foi quando fui atingido por duas balas em minha perna: uma de calibre 45 e outra de 765 milímetros", descreveu. "Foi tudo muito rápido. Cheguei ao meu escritório e, 20 minutos depois, já estava no hospital recebendo a medicação", complementou.Segundo ele, as balas atravessaram sua perna, sem romper nenhuma artéria ou osso. "Tive apenas alguns problemas musculares, mas nem foi necessário intervenção cirúrgica", comentou.Capobianco disse não saber como está o andamento das investigações comandadas pelo delegado Carlos Alberto Ferreira Sato, do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP). "Não sei como estão os trabalhos, mas estou ansioso para que prendam logo o criminoso. Só assim terei paz", confessou, informando que seu sistema de segurança e de sua família foi reforçado, contando, inclusive, com participação policial.O atirador, segundo Capobianco, é um homem magro, pardo, cabelo crespo, com idade entre 20 e 25 anos e com cerca de 1,70 m de altura.Na ativaO atentado sofrido não o afastará da ISPCV, segundo garantiu. "O instituto tem muita gente. É um conjunto e eu sou apenas uma peça", observou.Capobianco fez um apelo para que seus colegas empresários com espírito de cidadania colaborem com o ISPCV, financiando projetos do instituto. "O empresário não precisa aparecer, mas pode nos ajudar. Assim como toda a população", pediu.Ele disse ainda que a prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), assumiu ontem o compromisso de divulgar o Disque-Denúncia na frota de ônibus da capital. "Com essas campanhas de divulgação, os diretores do instituto aparecem menos na mídia e correm menos riscos", analisou.

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