Empresário acusado de ligação com dossiê diz ter "pressa" em ser ouvido

O empresário Abel Pereira, de Piracicaba, acusado de participar da negociação do dossiê dos sanguessugas, disse nesta terça-feira, 26, que tem pressa de ser ouvido no inquérito aberto pelo delegado Diógenes Curado Filho, da Polícia Federal de Cuiabá. Assim, afirmou, terá oportunidade de se defender das acusações. "Espero ser ouvido o mais rápido possível, em razão das inverdades de que me acusam."Segundo Pereira, sua família está assustada e sofrendo em razão do teor "mentiroso" das acusações. Ele foi citado no depoimento de Luiz Antonio Vedoin como o principal intermediador do esquema das ambulâncias superfaturadas durante a gestão do ex-ministro Barjas Negri, que sucedeu o candidato tucano José Serra no Ministério da Saúde. Foi também acusado nos depoimentos de Osvaldo Bargas, Expedito Veloso e Jorge Lorenzetti de ter participado da negociação do dossiê. Os três disseram que Pereira esteve em Cuiabá quando o dossiê era negociado com o PT. Pereira voltou a dizer nesta terça que esteve na capital do Mato Grosso duas vezes este mês, nos dias 14 e 24 (ficou até o dia seguinte), mas para tratar de assuntos ligados à fazenda de criação de gado que possui no município de Jaciara. "Eu estava providenciando algumas certidões da minha produção na fazenda." Negou a intermediação no negócio das ambulâncias e disse que, embora seja amigo de Negri, esteve no Ministério apenas uma vez durante sua gestão.Ele disse que não sabe como seu nome foi parar no dossiê, mas faz algumas suposições que pretende revelar à PF. "Há um grande jogo político em tudo isso." Pereira disse que a suspeita de que seu sigilo bancário e fiscal foi quebrado pode ser verdadeira. "Minha vida privada está sendo devassada, não sei com que interesse." Garantiu que vai tomar medidas judiciais contra seus acusadores.Em Piracicaba, a Câmara aprovou a criação de uma comissão para analisar as 34 licitações para obras da prefeitura, vencidas pelas empresas de Abel Pereira. O prefeito Barjas Negri (PSDB) disse que todos os contratos são públicos e estão disponíveis na internet. Negri já havia negado, em nota, que o empresário tivesse qualquer influência no Ministério durante sua gestão.

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