Empresário assassinado estava sendo investigado

O empresário Leandro Souza Gomes, de 32 anos, assassinado a tiros ontem, estava sendo investigado pela polícia. Ele era dono da agência de viagens American Tur, no centro, que possui pelo menos cinco inquéritos abertos na 5ª Delegacia Policial (centro) por estelionato nos últimos dois anos. O policial militar Carlos Henrique Coelho Dias, de 30 anos, que fazia a segurança de Gomes, também foi morto ?O Leandro aplicava muitos golpes. Só esta semana, recebi dez denúncias anônimas de pessoas que foram vítimas?, contou o delegado Gilberto Ribeiro, titular da 5 ª DP. Segundo ele, funcionários de Gomes ligavam para clientes, avisando que os títulos de vantagens (para descontos em viagens) que elas possuíam na American Tur estavam com mensalidades atrasadas e a situação precisava ser regularizada com pagamentos de até R$ 3 mil. Para que o dinheiro fosse depositado rapidamente, a agência mentia para o cliente, informando que o título valeria R$ 50 mil e já haveria um comprador interessado. O cliente, atraído pela alta proposta, pagava à firma. Gomes também era dono de uma empresa de som para carros, a Gigante Sound.O empresário foi assassinado por volta de 21h30 de anteontem depois de sair de um bar na Travessa dos Poetas de Calçada,no centro, que fica em frente ao prédio onde funciona a America Tur. Não houve expediente ontem no local e, segundotestemunhas, pessoas revoltadas com os golpes aplicados por Gomes teriam ido reclamar na agência pela manhã. O empresário estava acompanhado da mulher, Simone, do motorista Douglas Alves Pinto, de 26 anos, e do PM Dias. Osquatro saíram do bar e seguiram para o carro de Gomes, estacionado perto dali, quando foram abordados por três homens armados com pistolas. Simone e Pinto já estariam dentro do veículo e nada sofreram. O empresário e o PM foram mortos na rua e não tiveram tempode reagir. ?O policial morreu com a arma na cintura. Foi atingido com três tiros pelas costas?, disse o delegado. O empresário levou 13 tiros. Os criminosos fugiram em um Golf. Ribeiro acredita que o crime foi uma execução, porque nada foi roubado. ?Alguém insatisfeito pode ter praticado o crime ou foi uma disputa interna dentro da empresa.? O delegado contou que há inquéritos sobre estelionato na 21ª DP (Bonsucesso) e na Delegacia de Defraudações, uma vez que Gomes já teve outras duas agências de viagens: Unamar e Mares do Sul. Nenhuma das três estava cadastrada na Associação Brasileira de Agências de Viagens. ?Todas as empresas que pertenciam ao Leandro tinham problemas, mas, raramente, chegávamos a ele porque havia osvendedores no meio do caminho?, afirmou Ribeiro. Em fevereiro, Gomes sofreu uma emboscada quando dois homens em uma moto acertaram três tiros no carrro do empresário. Gomes e Dias foram enterrados ontem.

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