Empresário com patrimônio de US$ 100 mi liderava rede de tráfico

PF prende 9 ligados a complexo de produção e exportação de frutas criado só para mandar cocaína para a Europa

Rodrigo Pereira, José Maria Tomazela, Thiago Décimo, Ângela Lacerda e Ariel Palácios, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2021 | 00h00

A Polícia Federal prendeu ontem nove traficantes de uma quadrilha que enviava cocaína para a Europa a partir de uma ampla estrutura de produção e exportação de frutas montada no Nordeste. O líder do bando, o colombiano Gustavo Duran Bautista, e seis comparsas estavam presos desde sábado, quando foram flagrados numa fazenda no Uruguai com 485 quilos de cocaína, droga avaliada em US$ 31 milhões. Segundo a PF, Bautista tem patrimônio de pelo menos US$ 100 milhões no Brasil.A quadrilha camuflava a droga em fundos falsos de caixas de fruta, exportadas em contêineres para países da Europa - onde Bautista tinha empresas de importação -, em especial a Holanda. O colombiano estava em situação regular no Brasil, posava de grande empresário e morava numa casa de alto padrão no Morumbi, zona sul.As blitze feitas desde sábado contaram com o apoio das polícias de oito países, entre eles Holanda, Inglaterra, Espanha e França. Realizada em cinco Estados, a operação de ontem, batizada de São Francisco, teve entre os detidos o piloto Milton Helfntens, o Ralf, encontrado em casa, em São Roque (SP). Acusado de transportar drogas e dinheiro para a quadrilha de Bautista, era Ralf quem pilotava o avião do megatraficante Juan Carlos Ramírez Abadía que caiu logo após a decolagem em Curitiba, em 2005, com uma grande quantia em dinheiro. Foi esse acidente que deu início às investigações da PF sobre Abadía, preso em Barueri no dia 7. Os federais vão agora levantar qual é a ligação de Bautista com o cartel de Abadía, o Norte do Vale.O delegado Luiz Roberto Ungaretti Godoy, do Departamento de Repressão a Entorpecentes da PF, disse que a empresa de Bautista, a Mariad Importação e Exportação de Gêneros Alimentícios, tinha três grandes fazendas produtoras de frutas no Vale do Rio São Francisco, em Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), e uma firma de exportação. ''''Ela era tida como empresa modelo no Nordeste.''''Numa fazenda na Bolívia, a quadrilha armazenava a cocaína vinda da Colômbia e a redistribuía, sempre em pequenos aviões, para os entrepostos no Uruguai e no Brasil. No Uruguai, o grupo tinha mais três fazendas, compradas por um testa-de-ferro, supostamente argentino.Em São Paulo, a quadrilha alugava o hangar Marreco, no Campo de Marte - lacrado ontem pelos federais, que apreenderam no local um monomotor e um helicóptero. Desde sábado, a PF apreendeu ainda um outro avião do bando, 12 automóveis, R$ 35 mil e US$ 45 mil em espécie e documentos.A PF divulgou apenas o nome do piloto e mais dois detidos ontem. Ex-mulher de Bautista, Adriana Aparecida Rodrigues, de 33 anos, procuradora da Mariad para exportação, foi presa pela manhã em casa, em Jaboatão dos Guararapes (PE). Em Juazeiro, foi detida a gerente da Fazenda Mariad, Ana Lúcia de Araújo Lima. Todos os acusados devem ser indiciados por tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.SOROCABANo bairro Campolim, área nobre de Sorocaba, policiais fizeram buscas na casa do sobrinho de Bautista, o colombiano Andréas Duran Parras, de quem apreenderam um carro e uma van. Preso sábado no Uruguai, ele tinha uma empresa na cidade. O sogro, que não quis se identificar, disse que a prisão surpreendeu até a mulher de Andréas, grávida de 3 meses.Houve ainda buscas no Condomínio Lago Azul, em Araçoiaba da Serra. A PF pretendia prender na cidade três colombianos, mas eles já tinham deixado o local.Além de Bautista e Andréas, estão detidos no Uruguai três colombianos - Júlio César Duran Parra, que também é sobrinho do líder do bando, Juan Carlos Parra e Fredy Raiana - e os brasileiros Neilson Mongelos e Plínio Lopes Ribeiro, pilotos do avião que levava a cocaína apreendida. A PF pedirá a extradição dos sete acusados.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.