Empresário dá pistas sobre seqüestradores

O empresário Roberto Benito Júnior, de Salto, vítima do seqüestro mais longo ocorrido em São Paulo, depôs durante mais de quatro horas, nesta quinta-feira, na Delegacia Seccional de Sorocaba. Foi o primeiro depoimento após sua libertação, ocorrida no dia 30 de janeiro, depois de 120 dias de cativeiro.Os detalhes revelados pelo empresário reforçaram a convicção do delegado seccional, Everardo Tanganelli Júnior, de que o grupo de seqüestradores é o mesmo que vem agindo há cinco anos no Estado. "Estamos fechando o cerco, e logo eles caem", comentou o delegado. O depoimento começou às 16h30. O empresário chegou à delegacia acompanhado do advogado Mário Dotta Júnior, amigo da famílila, e cercado de seguranças. Dois deles postaram-se no corredor, no pavimento superior do prédio, ao lado da porta da sala do seccional.Benito Júnior contou que, no longo período de cativeiro, conversou com apenas dois dos seqüestradores. Um deles era o cozinheiro e também seu carcereiro. O outro era provavelmente um dos negociadores. Ele reconheceu semelhanças entre o sotaque acaipirado desse homem e de um dos que ligaram para a família para negociar o resgate.A conversa fora gravada pela polícia e a fita foi ouvida nesta quinta-feira por Benito. Quando o seqüestrador referiu-se ao pagamento em dólares, lembrando que falava de "notas verdes", carregou bastante no "r". Para o delegado, o grupo que já fez de três a quatro seqüestros no Estado tem ramificações no interior e no sul de Minas Gerais. "É como se fala nessas regiões."A vítima esclareceu um detalhe que intrigava a polícia: o machado deixado pelos seqüestradores no local onde o empresário foi rendido. Benito Júnior explicou que o homem que o rendera portava o machado e entrou com ele no carro.Temendo ser agredido com o instrumento, o empresário aproveitou um descuido e jogou-o para fora, quebrando o vidro lateral. Os seqüestradores não tiveram tempo de resgatar o equipamento, que seria usado apenas se o veículo ocupado por Benito fosse blindado. O Ômega tinha vidros comuns.

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