Empresário diz à CPI que Denise não o favoreceu

Oposição reclama de blindagem da diretoria da Anac dentro da comissão

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2023 | 00h00

Acusado pelo ex-presidente da Infraero José Carlos Pereira de ter sido favorecido pela diretora da Anac Denise Abreu, o empresário Carlos Ernesto Campos negou ontem, à CPI do Apagão Aéreo no Senado, ter amizade com Denise. Ele disse também que não tem contatos na agência para conseguir que parte do setor de cargas dos terminais de Guarulhos e Viracopos, em Campinas, fosse transferida para o Aeroporto de Ribeirão Preto, no interior paulista, onde está sediada sua empresa, a Terminais Aduaneiros do Brasil (Tead). "Não conheço a Denise. Só a vi algumas vezes em situações coletivas", afirmou o empresário. Campos afirmou ter tido o primeiro contato com Denise à época em que ela trabalhou na Secretaria da Saúde de São Paulo, no governo de Mário Covas (1995-2001). Para o relator da comissão, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), isso mostra que os dois são conhecidos um do outro. "Ele se lembra até de quando teve o primeiro contato com ela. A Denise é uma mitômana (tem compulsão por mentir)", afirmou. O empresário disse que Denise nunca fez lobby em seu favor. Segundo ele, sua área de atuação não é a aviação, mas sim o armazenamento de mercadorias aduanas. Campos admitiu esperar que comecem logo as obras do terminal de cargas em Ribeirão Preto, sobre o qual a Tead tem o direito de exploração. "Ganhei a licitação (em 2003) e estou doido para a obra começar. Até agora só tive prejuízo." Ele diz já ter perdido cerca de R$ 3 milhões por não poder operar o terminal. Campos colocou seus sigilos bancário, fiscal e telefônico à disposição da CPI.BLINDAGEMEm meio ao anúncio do ministro da Defesa, Nelson Jobim, de que será aberto processo administrativo para apurar o envio pela Anac de uma instrução sem valor legal ao Tribunal Regional Federal (TRF) - para tentar derrubar as restrições de pouso na pista principal de Congonhas em fevereiro -, a bancada governista da CPI do Apagão Aéreo da Câmara ainda tentava manter a blindagem sobre a diretoria da agência.A bancada do PSDB anunciou ontem que entrará com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão da maioria dos deputados de não votar requerimento que pedia ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, abertura de processo contra Denise.O presidente da CPI, Marcelo Castro (PMDB-PI), aceitou argumento do vice-presidente, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de que o requerimento proposto pelo PSDB fere o regimento da CPI. "Infelizmente, é mais uma barreira que se impõe nesta c omissão", afirmou Gustavo Fruet (PSDB-PR).O deputado Vic Pires (DEM-PA), integrante da CPI que descobriu o envio de documento sem validade legal à Justiça, encaminhou ontem ao procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, notícia-crime em que pede investigação para verificar se Denise cometeu os crimes de fraude processual e falsidade ideológica. Segundo Pires, ela teve o objeto de "induzir a erro" a Justiça ao enviar a instrução ao TRF.A sessão de ontem foi encerrada por falta de quórum, antes que se pudesse votar requerimentos de quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico dos diretores da Anac.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.