Empresário é feito refém por 8 horas

Andelmo Zarzur é investigado pela polícia por enriquecimento ilícito

Simone Menocchi, Taubaté, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2008 | 00h00

O empresário Andelmo Zarzur Júnior, de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, foi levado da própria casa por dois homens no fim da tarde de anteontem e ficou por oito horas e meia sob o poder de bandidos. O caso foi registrado como seqüestro no 13º Distrito Policial da Casa Verde, zona norte de São Paulo, onde a vítima foi libertada, às 2h30 de ontem. Segundo o empresário, os homens estariam armados com fuzis AR-15. Zarzur, investigado pelas Polícias Civil e Federal por enriquecimento ilícito, chegava em casa, no bairro São Francisco, por volta das 18 horas, depois de prestar depoimento na delegacia da PF em São Sebastião. Ele estava acompanhado da mulher, Nazza Fiorentino, e do assessor Émerson Graciano. Dois homens armados renderam Zarzur e o levaram em um carro, junto com Graciano. Por volta das 20h30, o assessor de Zarzur foi libertado na Vila Maria, zona norte da capital. "Ele disse que, ao ser libertado, recebeu R$ 200 para pegar um táxi de volta a São Sebastião. Nunca vi um seqüestrador pagar a viagem de volta da vítima", disse o delegado seccional de São Sebastião, José Francisco Rodrigues Filho. Zarzur informou à polícia que os criminosos lhe roubaram um relógio de ouro. Para Rodrigues, "ninguém pega uma pessoa e viaja 220 quilômetros com ela só para roubar um relógio". Não houve pedido de resgate enquanto o empresário ficou desaparecido. O delegado afirmou não acreditar que o episódio se tratou de um seqüestro. Uma das hipóteses com que a polícia trabalha é de cobrança de dívidas. A mulher de Zarzur será ouvida na sexta-feira. O empresário também será intimado a esclarecer o caso. Até o fim da tarde, ele não foi à delegacia de São Sebastião. Zarzur é investigado por intermediar a compra de terrenos na cidade para a empresa Belomar, que pertence ao Riviera Group, de Portugal. A PF apura o superfaturamento na venda das áreas, o que teria aumentado o patrimônio de Zarzur. O Ministério Público do Estado investiga um suposto favorecimento ao Riviera na revisão do Plano Diretor da cidade, administrada por Juan Garcia, que recebeu R$ 40 mil de Zarzur na campanha eleitoral. "Sabemos que pela mão dele já passaram cerca de R$ 20 milhões, mas não sabemos o valor exato", disse Rodrigues.

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