Empresário é indiciado por homicídio qualificado

O empresário Luciano Farah, de 29 anos, que confessou a um grupo de delegados ser mandante e co-autor do assassinato do promotor Francisco José Lins do Rego Santos, ocorrida em janeiro, em Belo Horizonte, e o soldado PM Edson Nogueira, que efetuou mais de dez disparos na vítima, serão indiciados por homicídio duplamente qualificado, com penas previstas de 12 a 30 anos de prisão.Embora, ao contrário do soldado, Luciano não tenha feito a confissão de maneira formal, com sua assinatura e registro em cartório, o delegado Wagner Pinto, que preside o inquérito sobre o caso, confirmou nesta quarta-feira o indiciamento. "Ele não confessou o crime formalmente, ou seja, não colocou no papel, e logicamente não vai querer fazê-lo", disse o delegado Wagner Pinto. "Mas, quanto ao fato de ele ter sido mandante e ter participado do crime, não temos mais a menor dúvida", acrescentou o policial, que remete o inquérito à Justiça na sexta-feira.Até o final das investigações, Pinto informou que novas revelações, baseadas em provas e depoimentos, poderão ser incluídas. Uma delas é que Luciano estaria também planejando matar outros integrantes do Ministério Público Estadual, que participaram, junto com Lins do Rego, das investigações sobre a participação da rede West de postos, pertencente ao empresário, na chamada máfia dos comustíveis - organização formada por redes de bandeira branca de venda de gasolina que estariam adulterando o produto e sonegando impostos."Sabemos já que outras duas pessoas do Ministério Público poderiam ser mortas", disse o delegado. Uma das vítimas seria a fiscal do Procon Estadual Silvana Salum, que, como Lins do Rego, chegou a ter seus hábitos e rotina investigados, a pedido de Luciano, pelo office-boy Geraldo Barreiras, funcionário da rede West também preso.O possível assassino seria o mesmo do promotor - o soldado PM Edson Nogueira, que confessou ter atirado mais de dez vezes em Lins do rego, quando estava na garupa da moto dirigida por Luciano e que parou ao lado do carro da vítima, em um semáforo da Zona Sul. Nesta quarta-feira, o irmão de Luciano, Cristiano Farah, de 29 anos, que também estava detido, prestou depoimento à polícia.Ele era suspeito de ter participado do crime, dirigindo um automóvel que estaria dando cobertura a Luciano e a Edson, na moto. Cristiano, no entanto, foi liberado pelos policiais, aparentemente por falta de provas, e voltou para casa.Oito pessoas ligadas a outra rede de postos de Minas - também investigada pelo MP por fraudes fiscais e adulteração de combustíveis - tiveram prisões preventivas decretadas pela Justiça. Três estão presas e cinco estão foragidas, mas a polícia descartou qualquer envolvimento do grupo com a morte do promotor

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