Empresário nega participação na morte de promotor

O empresário Luciano Farah, indiciado pelas polícias Civil e Federal como mandante e co-autor do assassinato do promotor Francisco José Lins do Rego Santos - ocorrido dia 25 de janeiro, em Belo Horizonte -, negou nesta terça-feira qualquer participação no crime, em depoimento à Justiça.Dono da rede de postos West, que vinha sendo investigada pelo promotor e por outros colegas por adulteração de combustíveis e fraudes fiscais, Luciano foi ouvido pelo juiz do 2º Tribunal do Juri da capital, Edison Feital Leite. De acordo com o promotor Francisco de Assis Santiago, incumbido da acusação, a negativa de culpa do empresário - que, há poucos dias, confessou informalmente o crime a delegados de polícia - era esperada.Ela não deve, no entanto, ter qualquer influência na conclusão do processo, no qual ele poderá ser condenado de 12 a 30 anos, por homicídio qualificado. "A negativa dele é frágil, bem menor do que as provas incluídas no processo", disse. "Temos convicção de que ele será condenado pelo crime bárbaro que cometeu", acrescentou.Além de Luciano, também prestaram depoimento nesta terça-feira o soldado PM Edson Nogueira, que era segurança particular da rede West, e o office-boy da empresa, Geraldo Barreiras. Nogueira confirmou a confissão que havia feito na fase de investigação policial.Ele estava na garupa da moto que seria pilotada por Luciano e que parou ao lado do carro do promotor em um semáforo da zona sul de Belo Horizonte. O soldado disse que, por ordem do empresário, efetuou os mais de 10 disparos que mataram Lins do Rego. A arma usada no crime foi encontrada em um matagal da perifeira, passou por perícia e consta dos autos.Já Barreiras, que, conforme a polícia, fez um levantamento completo da rotina do promotor assassinado e de outras pessoas do Ministério Público Estadual, que poderiam se tornar alvos de Luciano Farah, negou participação na trama. De acordo com o office-boy, ele realmente seguiu Lins do Rego por alguns dias e fez anotações, mas desconhecia que o objetivo do empresário, que lhe encomendou o serviço, fosse montar um plano para matar a vítima.Os advogados dos três acusados devem elaborar a defesa prévia até o final da semana. Em seguida, a Justiça passa à fase de depoimentos de testemunhas de defesa e acusação.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.