Empresário nega ter usado área como depósito de lixo

O empresário Abraham Kasinski, dono e presidente da Companhia Fabricadora de Peças (Cofap) entre 1951 e 1997, nega ter utilizado o terreno onde hoje está localizado o Conjunto Residencial Barão de Mauá para descarte ou depósito de qualquer tipo de lixo industrial. Mas ele não garante que o local não tenha sido utilizado para esse fim. "Não vou jurar que o terreno não tenha sido utilizado para isso, mas eu nunca mandei jogar lixo ali", afirmou.Em sua primeira entrevista, quase duas semanas após a divulgação de que o conjunto fica no terreno contaminado por resíduos depositados quando a área pertencia a Cofap, Kasinski, de 81 anos, tentou demonstrar tranqüilidade. Mas sua confiança ficou parcialmente abalada ao ser informado que seus bens poderiam ser bloqueados durante as investigações para saber de quem foi a culpa pelo problema. "Não sou criminoso... foi só um terreno vendido há dez anos, não tenho culpa. Só vendi um terreno, nada mais."Presidente e proprietário de uma fábrica de motocicletas Kasinski Motos, Kasinski diz não ter recursos financeiros a serem bloqueados. "Queria que alguém descobrisse os bens que tenho. Só tenho uma coisa boa na vida, que se chama fundação. É a única coisa que não foi feita com intuito de burlar imposto de renda."O empresário, porém, tentou enfatizar que sua fábrica, na época com 20 mil funcionários, poderia ter algumas falhas que lhe escaparam. "Quando você tem uma empresa muito grande, você tem de tudo. Todo país tem prostitutas e ladrões. Não vou jurar que lá trabalhavam 20 mil pessoas honestas."O empresário diz ter ficado muito "triste e chateado" ao tomar conhecimento do problema pela imprensa. Segundo ele, o terreno tinha sido comprado em 31 de agosto de 1983, com o objetivo de ampliar as instalações da fábrica em Santo André, na Grande São Paulo. "Nunca utilizei para nada. Havia até guardas para tomar conta e para não ser invadido ou para que não jogassem lixo lá."Segundo Kasinski, todo lixo da fábrica, situada em Santo André, era recolhido por uma firma especializada. No entanto, não soube informar o nome da empresa. Entre as pessoas que tomavam conta do local, Kasinski diz se lembrar vagamente de um espanhol chamado Antenor Alonso. Esse mesmo Alonso, segundo moradores da região, era quem administrava o local, conhecido por eles como "lixão do Alonso".De acordo com as denúnciais dos moradores e presentes no processo interno da Companhia de Tecnologia de Sanemamento Industrial (Cetesb), ele seria responsável pelo controle da entrada de resíduos industriais. Moradores do local informaram que parte desse material, como sobras de metais, estopas e panos encharcados com solventes e restos de areia e metais que sobravam nos fornos da fundição, seriam originários da própria Cofap.No processo da Cetesb, consta que Alonso teria alugado o local em 1990 para queima de 20 mil pneus. A Cetesb naquele ano multou Alonso e a Cofap por utilização inadequada do local. Kasinski voltou a afirmar que não conhecia esse tipo de utilização.

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