Empresário Nenê Constantino é internado após passar mal em prisão

Fundador da Gol teve prisão preventiva decretada, acusado de ser mandante do assassinato de um líder comunitário em Taguatinga, cidade satélite de Brasília

Vannildo Mendes, O Estado de S. Paulo

16 de dezembro de 2010 | 19h06

BRASÍLIA - Com prisão preventiva decretada por tentativa de assassinato do ex-genro Eduardo Queiroz, o empresário Nenê Constantino, fundador da Gol Linhas Aéreas, foi internado hoje no Hospital do Coração após ter passado mal no núcleo de custódia do presídio da Papuda, no Distrito Federal. Ele foi preso ontem à noite no Fórum de Taguatinga, cidade satélite a 25 quilômetros de Brasília, quando prestava depoimento em outro inquérito, no qual é acusado de ser mandante do assassinato de um líder comunitário.

Os advogados de defesa decidiram entrar amanhã com pedido de habeas corpus em favor do empresário no Tribunal de Justiça (TJ). Alegam que ele tem idade avançada (79 anos), sofre de graves problemas de saúde, tem endereço certo e nunca se recusou a colaborar com as investigações.

Já a Polícia Civil alegou que ele obstruía as investigações e, se os exames não detectarem qualquer anomalia, deve voltar para o presídio. A prisão preventiva tem duração mais flexível do que a temporária e pode se estender pelo tempo que durar a investigação.

Em maio de 2009, a Justiça já havia decretado a prisão temporária de Constantino pela primeira vez, por 30 dias, mas ele não foi localizado e a ordem acabou convertida em prisão domiciliar em razão de problemas cardíacos do empresário.

Acusações. Ele é acusado de ter mandado matar o líder comunitário Márcio Leonardo de Sousa Brito, morto com três tiros em outubro de 2001. Brito comandava um grupo de 100 pessoas que ocupou o terreno em que está a garagem de ônibus da viação Planeta, pertencente ao empresário, em Taguatinga.

Segundo a denúncia do Ministério Público (MP), dois empregados de Constantino, João Alcides Miranda e Vanderlei Batista Silva, indiciados como coautores, contrataram um pistoleiro para assassinar Brito como forma de intimidar os demais ocupantes da área, avaliada em R$ 8 milhões. Antes da execução, segundo a polícia, o empresário fez ameaças diretas de morte ao líder comunitário, que sofreu agressões e teve seu barraco incendiado.

Na investigação da tentativa de assassinato do ex-genro, a polícia apurou que Queiroz, ao sair do trabalho, em 5 de junho de 2008, foi seguido por um homem, que descarregou o revólver contra seu carro em movimento. Apesar da curta distância, nenhum dos tiros atingiu a vítima. O ex-policial militar José Humberto Cruz, expulso por má conduta, foi preso como o autor dos disparos. Foi por este crime que o juiz Fábio Martins decretou a prisão de Nenê.

Questão pessoal. A direção da Gol decidiu não se manifestar sobre o caso sob a alegação de que Constantino, embora seja fundador da empresa e pai do atual sócio controlador, Constantino de Oliveira Júnior, está totalmente desligado dela desde 2001, não exerce qualquer função na companhia e sequer faz parte do seu conselho. A empresa entende também que se trata de uma questão estritamente pessoal e familiar de Constantino.

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