Empresário preso teria atuado em convênio no Paraná, suspeita TCU

Investigação em contratos com a SEB de Curitiba indicam intermediação e assessoria de Fábio de [br]Mello à direção da ONG

Evandro Fadel / CURITIBA, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2011 | 00h00

O empresário Fábio de Mello, preso pela Polícia Federal na Operação Voucher, por suspeita de participação em um suposto esquema fraudulento envolvendo o Ministério do Turismo, pode ter atuado também no Paraná. Investigações conduzidas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em contratos da pasta com a Sociedade Beneficente Evangélica (SEB), de Curitiba, apontam que o empresário teria feito a intermediação e até prestado assessoria à direção da entidade.

Escutas telefônicas feitas pela PF mostraram que Mello recebeu orientações do secretário executivo do Ministério, Frederico Silva da Costa - também preso na operação da PF -, para montar uma entidade de fachada que assinaria convênios com o governo federal para liberação de recursos. A SEB foi contratada pelo ministério para executar um programa de qualificação no turismo.

O programa, lançado no Paraná em junho de 2010, prevê repasses no valor total de R$ 7,5 milhões, viabilizados por emendas apresentadas pelo deputado federal André Zacharow (PMDB-PR), que presidiu a entidade durante dez anos, até 2008.

O projeto de mobilização e qualificação nos segmentos de turismo, no valor de R$ 4 milhões, teve início em 21 de dezembro de 2009, portanto anterior ao próprio lançamento oficial do programa. Até agora teriam sido liberados R$ 3,1 milhões para a SEB. O segundo convênio, com valor de R$ 3,5 milhões, prevê realização de inventário turístico do Paraná. Até o momento foram liberados R$ 1.9 milhão. Os dois contratos são alvo de investigação pelo TCU, que suspeita de fraudes, superfaturamento em serviços e simulação de concorrência, pela qual teria sido contratado como prestador de serviços o Instituto Brasileiro de Organização do Trabalho Intelectual e Tecnológico (IBT), que é dirigido por Mello.

Na página mantida pela SEB na internet é possível realizar dois módulos regionais do curso de qualificação. Tanto o módulo Atrativos Turísticos do Estado do Paraná quanto História e Cultura do Estado do Paraná preveem 30 horas/aula, com possibilidade de o certificado ser concedido com 70% de participação. Mas não é preciso consumir todo esse tempo, visto que não há necessidade de comprovar a leitura das orientações ou de assistir aos vídeos sugeridos.

110 toques. O curso mais longo - História e Cultura do Estado do Paraná - tem 98 páginas de aulas, além de 12 vídeos. Mas a cada toque na seta de mudança de página o porcentual de participação vai se alterando independentemente de leitura. Os vídeos, que consumiriam cerca de 2 horas e meia, não precisam ser assistidos. As 30 horas/aula podem ser resumidas a 110 toques no computador e não mais que 20 minutos. O certificado fica disponível em oito dias.

Um comunicado postado no site afirma que a meta de qualificar 1,5 mil pessoas foi atingida em abril. Depois disso, outras mil pessoas já teriam conseguido o certificado.

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