Empresário sustenta que Pajero teve problemas

O empresário Sérgio Gomes da Silva, amigo do prefeito assassinado de Santo André, Celso Daniel, deu, nesta quinta-feira detalhes do seqüestro em que o prefeito foi capturado por seus supostos assassinos. Negando as conclusões da perícia policial, Silva reafirmou a falha mecânica que causou a parada da picape Pajero que dirigia quando Daniel foi capturado e disse que continuará cooperando com a polícia, já que ?é a única maneira de redimir, de retratar um pouco o que foi feito a uma pessoa como o Celso?. Durante a entrevista coletiva, emocionado, Silva diversas vezes chorou e negou ter dado depoimentos contraditórios, mas afirmou que pode ter cometido algum engano. Ao ser perguntado sobre o motivo do seqüestro, Silva disse acreditar na hipótese de crime comum. Segundo ele, a ?impressão que eu tenho é que eles trombaram conosco por ali [próximo à Avenida Ricardo Jafet], não antes?, descartando a hipótese de que a Pajero tenha sido seguida desde a saída do restaurante onde Silva e Daniel haviam jantado.Contudo, os passos da abordagem ? a Pajero teria sido cercada pelos carros dos criminosos, um Santana e uma Blazer ? foram descritos por Silva de maneira confusa. Sérgio disse que no momento em que o a Pajero parou, os dois carros usados supostamente pelo criminosos voltaram. ?Estava nervoso, então, pra mim, na hora que eles passaram, iriam embora.? Segundo Silva, a Blazer ?entrou à direita?, então o Santana parou e deu sinal. A Blazer voltou e os ocupantes começaram a atirar. O tiro que atingiu um dos pneus da Pajero pode não ter sido dado em uma suposta perseguição.Silva também foi questionado sobre as supostas falhas mecânicas e elétricas que, segundo ele, a Pajero teria apresentado no momento do seqüestro e que a perícia técnica da Políca Civil não conseguiu confirmar: segundo os peritos, a picape não apresentou falha no câmbio, nem nas travas elétricas da porta. Mas Silva insistiu em sua versão. "Eu pus a primeira no carro, rodava falso, pus a segunda, rodava falso, e neste momento o Celso perguntou o que deveria fazer?, contou. Ele disse que pediu calma a Daniel, mas em seguida os bandidos conseguiram abrir as portas da picape.AmizadesSilva chorou ao lembrar de Daniel. Eles se conheceram em 1988, ano em que Daniel foi eleito para o primeiro mandato. ?Celso era muito amável. No momento do seqüestro pensei em crime comum?, disse.Silva afirmou que costumava jantar com o prefeito. ?Quando ele vinha da PUC, [onde Celso Daniel lecionava], o motorista dele o deixava no restaurante e eu o levava a Santo André?, disse Silva, acrescentando que, às vezes, passava na casa de Daniel para apanhá-lo. ?Foi o que aconteceu. Peguei ele na porta da casa dele, às 7 horas da noite." Silva também afirmou que na noite do seqüestro, Celso estava com uma mala de roupas no carro. Ao ser encontrado no domingo, Daniel estava com a roupa trocada. ?Aquela não era a roupa dele?, disse.

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