Empresário teria tramado também a morte de fiscal

O empresário Luciano Farah, de 29 anos, que confessou a um grupo de delegados mineiros, nesta segunda-feira à noite, ter sido mandante e co-autor do assassinato do promotor Francisco José Lins do Rego Santos, ocorrido no dia último dia 25, em Belo Horizonte, também estaria tramando a morte da fiscal do Procon do Ministério Público Estadual, Silvana Salum.A informação foi dada à polícia pelo office-boy Geraldo Barreiras, da rede West de postos de gasolina, pertencente a Luciano e que vinha sendo investigada pelo MP - por equipe da qual fazia parte o promotor assassinado - por adulteração de combustíveis e fraudes fiscais.LevantamentosDe acordo com Barreiras, interrogado pela força-tarefa montada para apurar o caso - Polícias Civil, Militar, Federal e MP - Luciano pedira a ele que fizesse levantamentos sobre a rotina de Lins do Rego e também de Silvana, que, juntamente com outros integrantes do Procon Estadual e promotores, passou contar com vigilância especial de policiais desde a morte do promotor.Silvana também esteve no Departamento de Investigações da Polícia Civil mineira e reconheceu Barreiras como o homem que a vinha seguindo, há cerca de duas semanas. No final da tarde desta terça-feira, o governador de Minas, Itamar Franco (PMDB), confirmou que o soldado PM Edson Nogueira, um dos quatro militares presos com Luciano e com o irmão dele, Cristiano Farah, acusados de participação no crime do promotor, foi quem efetuou os mais de 10 disparos que mataram Lins do Rego.Mandante e co-autorNogueira, que, com três colegas de farda, fazia segurança particular para a rede de postos West, da família Farah, estava na garupa da moto pilotada por Luciano no momento do assasinato. Inicialmente, o cabo Vilmar Ferreira dos Santos fora apontado como responsável, mas a confusão foi feita pela Polícia Federal, que antecipou a solução do crime na noite de segunda-feira, irritando policiais civis e militares, que queriam manter em sigilo a confissão de Luciano.Um dos motivos é que Luciano admitiu ser mandante e co-autor do crime de maneira informal, sem que seu depoimento tenha sido incluído nos autos. Segundo o depoimento do soldado, o empresário parou o veículo ao lado do automóvel do promotor, em um semáforo da zona sul de Belo Horizonte, e o militar, na parte de trás do banco, Edson executou Lins do Rego com tiros de pistola PT-380.Sem advogadoEm seguida, eles fugiram, e Luciano cometeu um grave erro: deixou a motocicleta, uma Suzuki branca, em uma oficina também da zona sul, onde ela acabou sendo encontrada pelos policiais. Preso desde sexta-feira por ordem judicial, Luciano continua sem advogado. Marcelo Melo, que o defendia, abandonou o caso, diante das evidências cada vez maiores de sua participação.Nesta terça-feira à tarde, seria a feita a reconstituição do crime, com a participação dos dois principais acusados. O comando da força-tarefa que investiga o crime, no entanto, decidiu adiar o procedimento, alegando que ainda é preciso completar as investigações com provas materiais. A principal delas é a perícia na arma do soldado Edson.Outros implicadosApesar de descobertos e presos os principais autores do crime, os policiais que cuidam do caso esperam definir, nas próximas horas, outras participações. O irmão de Luciano, Cristiano, que também está detido, por exemplo, pode estar envolvido. Ele é apontado como motorista de um carro que estaria dando cobertura à moto de Luciano, no momento do crime.Ainda não há uma data para a força-tarefa ser desmontada. O governador mineiro entende que ela precisa continuar atuando, enquanto houver indícios de atuação da máfia dos combustíveis da qual os acusados da morte do promotor faziam parte. A Assembléia Legislativa de Minas aprovou nesta terça-feira a criação de uma CPI para investigar a organização.

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