Empresários buscam saídas para driblar problemas com vôos

Cansados da espera em aeroportos ecancelamento de vôos nos aeroportos do país, alguns empresáriosestão buscando alternativas para não perder reuniões detrabalho nem negócios, recorrendo a aluguéis de vans, jatinhosou uso de teleconferências. "Sempre que surge um problema, temos que nos adaptar aele", disse o presidente da Usiminas, Rinaldo Soares, àReuters. "Nós optamos pela teleconferência para driblar acrise." Segundo Soares, a medida é paliativa, mas pode se tornaruma solução definitiva no futuro. "A solução tem sidobem-sucedida. Ela tem um custo menor e é menos cansativa",acrescentou Rinaldo Soares. De fato, as empresas do setor de teleconferência têmdemonstrado um aumento na procura. A companhia Conference Calldo Brasil, que atende cerca de 600 empresas, registrou umaumento de 25 por cento nos últimos seis meses na utilizaçãodas teleconferências e videoconferências. Só na última semana, a empresa tem recebido cerca de cincoligações diárias de novos clientes atrás de informações. A situação nos aeroportos do país voltou a se agravar nasemana passada, após o acidente com um Airbus da TAM, que faziao vôo 3054 de Porto Alegre a São Paulo. Após se chocar contra prédios vizinhos ao aeroporto deCongonhas, em São Paulo, o avião explodiu, deixando cerca de200 mortos. O vice-presidente do Instituto Brasileiro de Siderurgia(IBS), Marco Pólo Mello Lopes, reconhece que a crise aérea estáatrapalhando o cotidiano dos empresários e apóia soluçõesalternativas para que eles não fiquem presos nas filas dosaeroportos. "A reunião do conselho do IBS (na quarta-feira) esteveameaçada por conta dessa crise. Os membros do Conselho queestavam em Minas e em São Paulo ou vieram de carro ou fretaramum jatinho para poder chegar", afirmou o executivo no Rio deJaneiro. A empresa de táxi aéreo Alliance registrou nas duas últimassemanas 65 por cento de aumento na sua demanda. Uma viagem deida e volta de São Paulo ao Rio de Janeiro, em um jato CitationCJ2, com seis passageiros, custa 12.000 reais. Cada perna daviagem dura 40 minutos. Além de SP-Rio, outros trechos bastante procurados são SãoPaulo-Brasília (26 mil reais) e São Paulo-Curitiba (12 milreais). Para os microempresários, a situação chega a ser maiscomplicada. Gabriel Malvezzi, 47 anos, empresário do ramomoveleiro, resolveu deixar de atender o Rio de Janeiro, já quedependia dos vôos, para cuidar do interior de São Paulo, ondemora, apesar do lucro menor. "Eu preferia atender os clientes do Rio primeiro, porquenão tem comparação entre o que eu posso ganhar lá e o que possoganhar no interior de São Paulo em apenas um dia", disseMalvezzi, que foi a Congonhas na tentativa frustrada deembarcar para o Rio. "Essa crise me fez ajeitar a agendaconforme a necessidade." "NADA PAGA O ESTRESSE" Muitas empresas optaram por alugar vans ou carros para seusexecutivos, em trechos mais curtos e constantes como SãoPaulo-Rio de Janeiro. A gerente da agência de transportes Altur Ana PaulaRodrigues Nunes disse que a procura por veículos para fazer otrajeto São Paulo-Rio "aumentou de maneira brusca nos últimosdez dias", disse. Segundo ela, uma van com capacidade para dez pessoas,incluindo combustível, pedágios e motorista, sai por cerca de1.000 reais de São Paulo ao Rio. Um carro nas mesmas condições,por cerca de 900 reais. O trajeto leva cerca de quatro horas ea ponte aérea leva cerca de 50 minutos. O empresário holandês do setor de serviços Ronald Djikstra,45, mora no Brasil há 26 anos e viaja duas vezes por semana aoRio. Para ele, não há alternativa que pague o estresse que elevem vivendo. "O problema não é só o aeroporto. São as empresas aéreasque nos confundem com informação desencontrada, é umdesrespeito", disse Djikstra. "A cabeça fica pesada e pegarônibus não muda nada disso, o cansaço acaba sendo o mesmo." "Para mim, o ônibus só será uma opção quando não tiver amenor condição de pegar a ponte aérea. Eu sinto que comoestrangeiro posso ser um alvo mais fácil na rodoviária do queno aeroporto", disse Djikstra. O risco de longas esperas foi alertado aos cidadãonorte-americanos, que moram ou estão de passagem pelo país,pelo consulado dos Estados Unidos no Rio de Janeiro. "Estejampreparados para longas esperas e também para perder conexões",disse em comunicado na quarta-feira. Para o presidente Federação das Indústrias do Rio deJaneiro (Firjan), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, os atrasos ecancelamentos nos aeroportos estão prejudicando muitos negóciosno país e a solução seria a abertura do mercado de aviação aempresas estrangeiras. "É claro que a crise atrapalha e perturba. Você pensa duasvezes antes de fazer uma viagem para uma reunião de negócios",afirmou ele a jornalistas.

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