Empresários compram prédios abandonados e vendem como opção de casa própria

Quem passa pela Avenida do Estado,perto do Edifício São Vito, tem a atenção voltada para um prédiode 12 andares do outro lado do Rio Tamanduateí. De fachadaamarela, com tinta ainda fresca e janelas recém-instaladas, elese destaca. Dos anos 60, quase desocupado, foi comprado e todoreformado: 70% das 60 unidades se esgotaram em 60 dias. É umnovo filão: comprar prédios do centro abandonados ou degradadose transformá-los em atraente alternativa de casa própria. Dequebra, transforma-se a região.Ex-lavrador, ex-garçom de hotéis como Maksoud Plaza eMofarrej, Jaime Romão descobriu o centro há oito anos. Da janelado seu apartamento, na Rua Martim Francisco, via um prédioabandonado, no número 119. "Eu já trabalhava com reforma eimaginava o que poderia fazer", diz. "Até que procurei a dona.Com poucos inquilinos, ela tinha mais prejuízo que lucro. Propuspagar a longo prazo. Por milagre, ela aceitou."Desde 1989, quando comprou a primeira casa própria e fezuma pequena reforma, passou a viver do negócio. Chegou a trocarde endereço a cada trimestre. Até descobrir os prédios docentro. Em cinco anos, já devolveu à região seis prédiosrenovados e 128 famílias. A maioria na chamada Boca do Lixo,entre Ruas Aurora e Timbiras, Avenida Rio Branco e Largo GeneralOsório, que recebeu o codinome por concentrar prostituição.Seu último empreendimento, o antigo Hotel Orly, de 1933,na Conselheiro Nébias, foi cenário de filmes como "Bellini e aEsfinge", em que Malu Mader interpreta a prostituta Fátima. Comoprédio residencial com 25 quitinetes de 35 m², vendidas no anopassado a R$ 28 mil em média, virou Edifício Jaime.Perspectiva - Com prédios revitalizados, o Centro voltaa receber jovens casais, famílias com crianças, estudantes eidosos, atraídos por baixas prestações, boa localização e acessoa transporte público e serviços. O mercado é promissor. Os dadosmais recentes, do Censo 2000, dão uma idéia: nos nove distritosda Subprefeitura da Sé, há 51.463 unidades fechadas. Na Séapenas, 30% dos imóveis estão desocupados. Já a Secretaria daHabitação tem uma lista de 200 prédios deteriorados no centro. "Empreedimentos particulares, sem subsídios, demonstramque o mercado descobriu esse filão", diz Marco Antônio Ramos deAlmeida, da Viva o Centro. Segundo ele, a região é destino de22% das viagens de 39 distritos da Grande São Paulo, ou seja, 2milhões de pessoas vão para o centro diariamente".Prova disso é a rapidez com que os imóveis revitalizadossão vendidos. Ainda em reforma, os 60 apartamentos de um prédiona esquina das Ruas Consolação e Nestor Pestana foram vendidosem 40 dias. Foi reformado pelo ex-vendedor de linhas telefônicasChil Joseph. O negócio começou há cinco anos. Ele já reformoumais de uma dezena de prédios.Os apartamentos negociados por ele são financiados pelaCaixa em 20 anos, com prestações não superiores ao valor doaluguel de um apartamento similar. "Entrego tudo pronto", diz."Meu sonho é construir um do zero. Este levará o meu nome."

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