Empresários estimam gastos de R$ 200 mi com desapropriações

Lerner estruturou projeto em 10 eixos, com 3 bulevares para pedestres e serviços e 16 quadras para moradias

Bruno Paes Manso, O Estadao de S.Paulo

28 de abril de 2009 | 00h00

Os empresários calculam que precisariam investir entre R$ 150 milhões e R$ 200 milhões em desapropriações para viabilizar a revitalização da Nova Luz. O projeto do urbanista Jaime Lerner foi estruturado em torno de dez eixos principais. Ele pensou em três bulevares que permitiriam maior circulação de pedestres e atividades de serviços e comércios localizados nas Avenidas Rio Branco, Duque de Caxias, Ipiranga e Cásper Líbero. Esses bulevares teriam calçadas largas e abrigariam comércios e serviços nos dois primeiros andares, com acesso à rua. Os pavimentos superiores seriam destinados a habitações. Prédios de porte médio, com altura de 12 a 20 andares, correriam paralelamente a esses bulevares.O grosso da habitação ficaria concentrado nas 16 quadras previstas para abrigar blocos de, no máximo, oito pavimentos, feitos com estrutura metálica e vidro. Nessas quadras, os primeiros andares seriam destinados a atividades comerciais e de serviços. Todos os quarteirões teriam uma praça para uso público ou privado, no caso de o bloco ser voltado somente para habitação.Os prédios baixos e médios criados para a maior parte da região permitiriam a construção de um grande edifício, de mais de 200 metros de altura, chamado informalmente de Torre da Luz, considerado pelo autor um dos pontos fortes do projeto. No topo do prédio, o urbanista pensou em colocar grandes holofotes voltados em direção ao céu. Localizado próximo da Estação da Luz e do metrô, circundado por imóveis tombados, nos arredores funcionaria um polo de gastronomia, entretenimento e lazer, além de um mercado."O objetivo do projeto é revitalizar, trazer vida à noite para a região e fazer com que as pessoas voltem a viver no local, além de ajudar a fazer voltar a vida urbana à área. A intenção é misturar a renda em todos os sentidos", diz Lerner. "A região da Luz tem três das principais âncoras culturais da cidade. A Pinacoteca do Estado, o Museu da Língua Portuguesa e a Sala São Paulo. É uma região perto do centro que tem vida durante o dia, mas que é decadente à noite. É importante conseguir fazer essa reversão, porque é nas regiões decadentes que se deixa de viver. O resultado é o que vemos hoje na Cracolândia."No projeto, o Distrito das Artes funcionaria como zona de transição entre o corredor cultural da região e a Nova Luz. Teria prédios de até oito pavimentos, ocupados por ateliês, bares e pequenos comércios e serviços. No Distrito das Artes, está prevista também a construção de moradias pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU).O projeto busca também consolidar a região da Santa Ifigênia como polo de serviço e de comércio eletrônico em São Paulo. As calçadas largas seriam destinadas aos pedestres e também haveria praças e largos. O projeto contempla ainda espaço para a construção de prédios municipais na área - como a Subprefeitura da Sé - e prédios para ensino técnico. Duas alamedas - ao longo das Ruas General Osório e Vitória - serviriam como ligação ao Largo do Arouche e como vitrine para os imóveis tombados na área. "Esse é um instrumento que precisa sair do papel rapidamente. Se demorar muito, fica cada vez mais caro", diz Lerner. No caso da licitação prevista pela Prefeitura para a escolha do projeto, o arquiteto diz achar positiva a concorrência de nomes internacionais. "O que não pode acontecer é pensarmos que os profissionais de fora são melhores do que os brasileiros, que têm a mesma experiência e a mesma qualificação. Não podemos defender a reserva de mercado porque os brasileiros também trabalham no exterior", diz Lerner, que atualmente desenvolve projetos na Coreia do Sul, Rússia, México, Angola e Estados Unidos.PATROCÍNIOO engenheiro Cláudio Bernardes, vice-presidente do Sindicato da Habitação (Secovi) e integrante do conselho fiscal da Associação Imobiliária Brasileira (AIB), afirma que a entidade, fundada em 1985, patrocina projetos semelhantes para serem compartilhados com o poder público. Segundo ele, coube à entidade patrocinar o projeto de plantas online, feito para facilitar a retirada de alvarás na Prefeitura. Bernardes diz que a associação também ajudou na reestruturação das análises feitas pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) para estudos de polo gerador de trânsito. "Em relação às campanhas, os associados doam de acordo com o teto permitido pela lei. Na eleição passada, o boom do mercado favoreceu o aumento de doações", diz.

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