Empresários fraudadores de Manaus serão soltos

Quase todos os empresários presospela Polícia Federal, na segunda-feira, por envolvimento em esquema de fraude na Delegacia Regional do Trabalho, devem sersoltos ainda nesta quinta-feira, dependendo da agilidade com que seus advogados providenciem os pedidos de relaxamento deprisão com base no fato de estarem colaborando com as investigações. Ao todo, 15 empresários encontram-se detidos naPenitenciária Anísio Jobim e devem ser indiciados apenas por corrupção passiva.Já os dez fiscais detidos pela mesma operação "Zaqueu", que agitou os meios econômicos de Manaus nas últimas 48 horas,não terão a mesma sorte. Indiciados pelos crimes de concussão, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal eenriquecimento ilícito, podem pegar de cinco a seis anos de prisão, conforme informação do Procurador Geral da República,Ricardo Donini, em entrevista coletiva concedida no fim da manhã desta quarta-feira, em Manaus.Conforme os envolvidos vão sendo interrogados, a Polícia Federal começa a traçar um perfil mais detalhado do esquema que erautilizado para receber dinheiro de várias empresas amazonenses. Está confirmado, por exemplo, que existiam duas formas deação por parte dos auditores fiscais da DRT-AM.Na primeira forma de ação, eles realizavam fiscalizações trabalhistas de rotina nas empresas com o sentido de identificarpossíveis irregularidades. Mas em vez de proceder como manda a legislação, autuando os empresários pelas irregularidadesencontradas, eles exigiam propinas para ignorar os problemas encontrados.A segunda forma acontecia antes mesmo de a empresa ser visitada pelos auditores no processo de fiscalização de rotina.Ciente de relatórios anteriores, onde apareciam multas aplicadas por irregularidades ainda não sanadas, eles simplesmenteligavam para a empresa a acertavam um valor fixo mensal para que não lavrassem mais um auto de infração.Nesse caso, eles ficavam recebendo enquanto o empresário não resolvesse o problema.O que já foi apurado pela Polícia Federal, também, é que todo o grupo participava de forma ativa no esquema. Todo o produto daextorsão aos empresários era contabilizado e dividido de forma igual entre os componentes do grupo.Segundo o Procurador Geral da República, Ricardo Donini, a operação Zaqueu não deve proceder mais qualquer prisão referentea este caso.Todos os envolvidos foram efetivamente detidos. "Entraremos agora no processo de análise das provas e de todo o materialapreendido. E o que já temos é mais que suficiente para condenar a todos", disse o Procurador.

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