Empresas aéreas terão de reduzir vôos nas principais capitais

A diretoria da Infraero, empresa estatal responsável pela administração dos aeroportos, anunciou hoje que as empresas aéreas terão de reduzir em pelo menos 10% os vôos de Congonhas (São Paulo), Santos Dumont (Rio de Janeiro) e Pampulha (Belo Horizonte). Supercongestionados, esses três aeroportos estão recebendo de duas a três vezes mais passageiros do que comportam seus terminais.As companhias já começaram a cortar espontaneamente alguns vôos desde que a Infraero sinalizou sua intenção há duas semanas. O número de slots - pousos e decolagens - de Congonhas, onde um passageiro morreu atropelado na pista por um ônibus na quinta-feira, já foi reduzido de 54 para 48 por hora nos horários de pico, incluindo vôos fretados. Em Santos Dumont e Pampulha, o objetivo é reduzir, respectivamente, para 37 e 34 slots por hora.O Departamento de Aviação Civil (DAC) também prepara um plano mais global que obrigará as empresas a redirecionarem seus vôos nacionais para os aeroportos internacionais das três cidades - Guarulhos (SP), Galeão (RJ) e Confins (BH) - que hoje operam abaixo de suas capacidades. No final, a meta é chegar a uma redução de 10% a 15% no movimento atual."No futuro, as empresas não poderão projetar seu crescimento em cima desses aeroportos", afirmou hoje o presidente da Infraero, Orlando Boni, após uma reunião com os presidentes das principais companhias aéreas. Segundo ele, a redução de vôos será feita de forma negociada, sem prejudicar ninguém.TerminaisA Infraero planeja ainda ampliar a capacidade dos terminais de passageiros dos três aeroportos que sofrem com congestionamento. Em Congonhas, que recebe 12 milhões de pessoas por ano e tem capacidade para apenas 7 milhões, as obras estão começando, depois de cinco anos de polêmica com a prefeitura e os moradores das proximidades. "Queremos melhorar o conforto dos passageiros, mas não vamos ampliar a capacidade de operação", garante Boni.Em Santos Dumont, no Rio, um projeto prevendo a construção de um segundo terminal de passageiros deverá ser apresentado à prefeitura nos próximos 30 dias. Se a obra for aprovada, deverá elevar a capacidade do aeroporto de 3 milhões de pessoas para 10 milhões por ano. Atualmente ele recebe 5,5 milhões de passageiros.Em Belo Horizonte, ocorre a situação mais grave. Com capacidade para 1 milhão de passageiros, Pampulha tem recebido até 3,3 milhões de pessoas por ano, enquanto o Aeroporto Internacional de Confins (mais distante do centro da cidade) foi construído para receber 5 milhões de pessoas e hoje opera com apenas 500 mil por ano. Para mudar esse quadro, a Infraero também defende a revisão das atuais taxas de embarque, que são mais baixas nos aeroportos com menos infraestrutura e, dessa maneira, acabam desincentivando as companhias a usarem os mais modernos.Apesar da atual ociosidade dos aeroportos internacionais, eles também deverão receber investimentos nos próximos anos, de acordo com o diretor de operações da Infraero, João Santos da Silva. Isso porque, com o atual ritmo de crescimento do movimento aeroportuário (8,7% em 2001 e 6,1% no primeiro semestre deste ano), prevê-se que daqui 10 anos teremos duas vezes mais passageiros do que hoje - 74 milhões em todo o País. Em Guarulhos, por exemplo, que recebe 14 milhões de passageiros por ano tendo capacidade para 17 milhões, a Infraero quer ampliar os terminais para atender mais 12 milhões nos próximos cinco anos.

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