Empresas de ônibus dividiam esquema para tirar dinheiro do País

Documentos da agência de Nova York do Banestado demonstram a relação entre quatro empresas de ônibus que enviaram e receberam US$ 12,4 milhões para o exterior entre 24 de abril de 1996 e 27 de setembro de 1997. São as Viações Campo Limpo, Januária, São Bento e Riacho Grande. Todas remeteram o dinheiro para o exterior por meio da conta 1162-8, que o IFE Banco Rural do Uruguay mantinha no Banestado. Segundo perícia da Polícia Federal, por essa conta passaram US$ 3 bilhões. Ela é uma das 137 que tiveram o sigilo bancário quebrado pela Justiça de Nova York na investigação sobre a lavagem de dinheiro montada na agência do Banestado daquela cidade - procuradores estimam em US$ 30 bilhões o total de dinheiro que saiu ilegalmente do País e foi parar nessas contas. Duas das empresas, a Januária e a Mauá, pertencem ao empresário Baltazar José de Souza. Ele está sendo investigado no caso que envolve a direção do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus, acusada de receber propina para promover greves na capital. Embora as empresas de ônibus que utilizaram essa conta não sejam do mesmo dono, o caminho do dinheiro ao deixá-la segue por pelo menos três bancos e seis contas utilizadas pelas empresas em momentos diferentes: as contas são do Cambridge Bank e os bancos são o Swiss Bank Corporation e o Chase Manhattan de Nova York (atual J.P.Morgan-Chase). Ora as contas são usadas por uma viação para enviar dinheiro e ora por outra empresa para receber recursos. Isso sugere aos promotores que as empresas participavam de um mesmo esquema de envio de dinheiro para o exterior. O Ministério Público quer saber se esse dinheiro tem origem pública e se foi declarado à Receita Federal, pois saiu do Brasil por meio de uma das contas do Banestado que estão sob suspeita de receber dinheiro do narcotráfico, do contrabando, do terrorismo, da caixa 2 de empresas e de corrupção.

Agencia Estado,

12 Junho 2003 | 23h57

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