Empresas de ônibus mantêm ameaça de rescindir contratos em SP

Para os empresários de ônibus da cidade, a receita do sistema cobriria com folga os gastos se fosse repartida corretamente. A afirmação foi feita na manhã desta quarta, durante visita às garagens promovida pelo sindicato patronal (SPUrbanuss). "Às vezes, R$ 3 bilhões bem distribuídos poderiam sobrar", cogitou um dos empresários, que, por temer retaliações da Prefeitura, pediu à reportagem para não ser identificado.Assim como haviam dito na semana passada, os donos dos consórcios mais uma vez se mostraram dispostos a rescindir o contrato caso as reivindicações não sejam atendidas. "Não estipulamos um prazo para que essas pendências sejam resolvidas. Mas uma coisa tem de ficar bem clara: essa briga não tem a ver apenas com o reajuste das remunerações. Atrelada a isso há uma série de exigências feitas pelo governo", disse um empresário.A principal é renovação da frota. O secretário Frederico Bussinger quer pelo menos mil novos ônibus - que têm idade média de 6,2 anos - rodando na cidade. Para ele, é condição fundamental que a frota seja renovada, tanto na questão da idade quanto na adequação tecnológica, para o plano de reorganização do sistema funcionar.Os empresários se recusam a gastar dinheiro em novos carros enquanto a Prefeitura não definir um cronograma de investimentos previstos em contrato, como a construção de corredores e terminais.Os donos dos consórcios reivindicam a retirada de 1.500 microônibus que não estavam previstos originalmente no sistema. Bussinger frisou hoje que isso não vai ocorrer. "Se fizéssemos isso, a população é que iria sofrer. Eles estão incorporados, não é nosso objetivo (tirá-los)", disse.Pela manhã, nove integrantes do Movimento Passe Livre (MPL) foram à secretaria reivindicar participação popular na reorganização do sistema. A secretaria, desde antes, havia garantido que os passageiros serão ouvidos quando as mudanças forem adotadas.

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