Empresas de táxi aéreo ameaçam ir à Justiça

Sindicato do setor considera ?inócua? restrição para operar em Congonhas

Alberto Komatsu, Adriana Carranca e Sérgio Duran, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2022 | 00h00

As empresas de táxi aéreo consideram "inócua" a restrição de suas operações para desafogar o tráfego em Congonhas, medida anunciada ontem pelo Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac). A avaliação é do presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Táxi Aéreo (Sneta), Fernando Alberto dos Santos. Segundo ele, o sindicato deve recorrer à Justiça. "Essa medida não tem efeito nenhum para a segurança na operação de Congonhas", afirma. De acordo com ele, em condições normais de operação em Congonhas, são permitidos 48 intervalos para pouso e decolagem por hora. Desses, apenas 10 são reservados para os jatos executivos e de táxi aéreo. Atualmente, ele estima que essa relação foi reduzida para 38 slots, sendo somente dois para os jatos de menor porte. Santos observa que a permanência de um jato na pista, após o pouso ou antes da decolagem, é de menos de um minuto, intervalo bem inferior ao dos aviões de grande porte usados pelas empresas de aviação regular. Os jatos são mais ágeis do que os aviões de grande porte, diz ele, porque precisam de menos distância para pousar do que aviões maiores. Os jatos de táxi aéreo e os de aviação executiva requerem 1.200 metros de pista para pousar. A pista principal de Congonhas, segundo Santos, tem em torno de 1.940 metros e a auxiliar, cerca de 1.500 metros. "Já fomos duramente sacrificados durante um período de 90 dias em que a operação de táxi aéreo ficou restrita", lembra. Durante esse período, as empresas de táxi aéreo e de aviação executiva só podiam realizar vôos até as 10 horas e entre 17 horas e 20 horas. Santos não soube estimar o prejuízo para as empresas de táxi aéreo. SUGESTÕES O empresário German Efromovich, presidente da Ocean Air, disse que medidas para desafogar o tráfego em Congonhas são necessárias. "O aeroporto é seguro. Mas há anos não vem sendo utilizado da forma como deveria, com aviões do porte de um A-320, com todas as companhias querendo voar no horário nobre, com pequenos espaço de tempo entre um vôo e outro." Ele sugere, no entanto, medidas diferentes das propostas pelo governo federal. Para Efromovich, Congonhas deve ser restrito para pouso e decolagem de aeronaves com capacidade para até 120 passageiros, como Fokker 100, Boeing 737-300 e Airbus A319, vôos regionais e executivos, e sua capacidade distribuída para Guarulhos e Campinas.

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