Empresas já criticam nova malha

Para elas, transferências de Congonhas exigem mais aviões, o que é inviável, ou redução no número de vôos

Tânia Monteiro e Bruno Tavares, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2001 | 00h00

Dirigentes do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea) apresentaram ontem ao Ministério da Defesa suas preocupações com as determinações do governo em relação à redistribuição de vôos no País. Desde a semana passada, as companhias estão tentando desenhar uma nova malha aérea para cumprir a proibição de fazer no Aeroporto de Congonhas conexões ou escalas.Nas primeiras avaliações, segundo fontes do setor, não está sendo possível fazer coincidir a malha aérea das companhias com as restrições impostas pelo governo. Para haver a coincidência, seria necessário ou reduzir o número de vôos - o que prejudicaria os passageiros - ou aumentar a frota de aviões, que não estão disponíveis para entrega imediata.Hoje, a malha das companhias prevê escalas e conexões em várias cidades do País. A partir de agora, com a decisão do governo de proibir que o Aeroporto de Congonhas seja um desses hubs (ponto de distribuição de vôos), o redesenho ficou difícil, disseram os representantes das companhias ao assessor especial de Jobim, brigadeiro Jorge Godinho, que os recebeu no Ministério da Defesa. Apesar das reclamações das companhias, analistas do mercado de aviação civil não acreditam em aumento de tarifa. "Não há dúvidas de que os passageiros vão sentir os efeitos das mudanças na malha", avalia uma fonte do setor. "Mas esses reflexos estão mais ligados à comodidade do que ao bolso. As empresas não vão perder dinheiro, só vão deixar de lucrar como agora." A aviação executiva promete resistir até o fim e impedir qualquer transferência da capital paulista para Jundiaí. "As operadoras comerciais estão pressionando para manter os vôos em Congonhas em detrimento da aviação executiva. Não faz sentido que os vôos da aviação executiva tenham restrições no uso deste aeroporto", disse o presidente da Líder Aviação, Eduardo Vaz. A operadora, maior empresa brasileira no segmento, é responsável por 40% do movimento geral em Congonhas e investiu R$ 30 milhões na construção de um hangar. Ele ressaltou que a mudança "tornaria o negócio inviável" e a pista do interior "não oferece segurança".INTERIORAs restrições impostas pelo governo aos vôos que chegam ao partem do Aeroporto de Congonhas não terão reflexos sobre as rotas que ligam a capital ao interior paulista. A TAM e Gol anunciaram que vão manter vôos regulares para Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, cidades cujos aeroportos têm condições de receber jatos. A partir desses pontos, os passageiros poderão fazer conexões para outras localidades do Estado, assim como hoje.A Pantanal, companhia que opera vôos para Marília, Presidente Prudente, Bauru e Araçatuba, também continuará vendendo passagens com origem ou destino em Congonhas.

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