Empresas já investem em proteção de turistas

Mineiro que vive em Orlando abriu negócio só para estocar compra feita por brasileiros

Adriana Ferraz e Nataly Costa,

19 Maio 2012 | 17h57

A fama do brasileiro de comprador inveterado e o aumento da insegurança nos templos de consumo em Miami e Orlando, nos Estados Unidos, acenderam uma luzinha na cabeça do agora empresário Marcelo Carvalho, de 30 anos. Mineiro, morando em Orlando há sete anos, ele criou uma empresa só para receber as compras de brasileiros chamada Oportamalas.

Já o carioca Rueff Frazão, de 49 anos, largou o emprego no Rio para trabalhar com transfers de brasileiros em Orlando. Leva do hotel para o shopping, do shopping para os parques. Serve de motorista, guia e "guardião" no turismo de compras.

Nos hotéis, também já é comum encontrar táxis só com motoristas brasileiros para atender a clientela que fala português. A tarifa sai, em média, U$ 20 mais cara que a corrida normal.

Depósito. Na empresa criada por Carvalho, o cliente compra pela internet ainda no Brasil e manda para o endereço da empresa, que funciona como um depósito. Quando chega a Orlando, o comprador recebe as mercadorias no hotel.

"Entrego sempre em mãos. Furtos eram uma coisa isolada quando cheguei aqui, mas, de uns tempos para cá, se tornaram comuns. Pelo menos 10% dos clientes que ganhei no último ano são pessoas que não querem mais comprar nas lojas pela falta de segurança", afirma.

Carvalho trabalhou durante três anos e meio como vendedor na Best Buy, uma das mais famosas lojas de eletrônicos dos Estados Unidos - na filial de Orlando, 70% da clientela é brasileira. Ele percebeu os hábitos de compra peculiares dos conterrâneos. "Quando entrei na loja, três funcionários falavam português. Hoje são 30. Os brasileiros chegam com listas enormes, compram para o primo, o pai, a sogra", conta Carvalho.

Bilhões. Os brasileiros aparecem como grandes gastadores em qualquer indicador. Segundo o Departamento de Comércio dos Estados Unidos, estão em terceiro lugar entre as nacionalidades que mais compram no país, atrás apenas de Japão e Reino Unido. Foram US$ 6,8 bilhões gastos no ano passado, ou US$ 4,5 mil por pessoa.

Mas segundo Luiz Moura, diretor da Brand USA, órgão do governo americano que promove os Estados Unidos como destino turístico, os números são ainda maiores. "O brasileiro só perdeu para o chinês. Gastou US$ 8,2 bilhões nos Estados Unidos em 2011", afirma. Por cabeça, segundo essas estimativas, o turista deixou US$ 5,1 mil nos EUA.

E esse valor inclui apenas o que é gasto em território americano - despesas pagas com antecedência, como de pacotes turísticos e hotel, não são computadas. "Tem loja grande de departamento que dá 10% de desconto para brasileiro. É só apresentar a identidade ou o passaporte", diz Moura. Com tanto consumo, já tem até site de compra coletiva para brasileiros na Flórida: o www.brazbay.com.

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