Empresas pagam R$ 3,6 milhões por pirataria de software

Um levantamento da União de Combate à Pirataria, divulgado nesta quarta-feira, apontou que R$ 3,6 milhões foi o valor pago em 2002 por empresas em indenizações por pirataria na área de software. O dinheiro das indenizações é reinvestido nas ações de combate às fraudes.Foram 450 ações antipirataria. As vistorias atingiram mais de 7 mil computadores e 1.200 companhias tiveram de ser notificadas extrajudicialmente.A União de Combate à Pirataria é formada por 12 associações que representam os interesses comerciais de setores como de software, fonográfico e de brinquedos, entre outros. A entidade surgiu em março para combater a pirataria, que, segundo estimativa da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), custa ao Brasil R$ 10 bilhões.Segundo a organização, o atual índice de pirataria, em software, é de 56%. De acordo com um estudo da Price Waterhouse Coopers, se esse percentual se reduzisse para 25%, patamar compatível ao dos países desenvolvidos, o setor deixaria de perder R$ 1,7 bilhão em faturamento e conseguiria criar 25 mil novos empregos.Seriam arrecadados R$ 1,2 bilhão em impostos diretos e indiretos. "A maior incidência de pirataria na área de softwares ocorre nas pequenas empresas, com até 50 computadores, e nas médias", afirmou André de Almeida, presidente da Business Software Alliance (BSA).Ele ressaltou que as empresas industriais e do setor de serviços são as que mais se utilizam de softwares sem pagar pela licença. Até novembro, foram apreendidos 232.757 CDs. "As pessoas, hoje, entendem que a pirataria é um problema social, que gera redução na arrecadação de impostos e fechamento de postos de trabalho", comentou Valdemar Ribeiro, da Associação Protetora dos Direitos Intelectuais e Fonográficos (Apdif).A Apdif pede que as prefeituras cancelem os alvarás de camelôs que sejam flagrados com produtos piratas. Estima-se que 53% do setor fonográfico esteja tomado pelos piratas, o que torna o Brasil o terceiro maior mercado ilegal de música do mundo. No ano passado, os falsários movimentaram R$ 380 milhões.A indústria audiovisual tem 35% do seu mercado tomado pela pirataria, registrando prejuízo anual de R$ 36 milhões. Há 6.200 processos por falsificação de obras, mas apenas 30 pessoas foram condenadas nos últimos três anos.A União de Combate à Pirataria fará nova campanha educativa a partir de março. Entre as mensagens, a informação de que uma pessoa pode ser presa como receptadora ao comprar produtos piratas. Deve ser criado ainda um banco de dados sobre o crime, e o trabalho de combate deve envolver a Secretaria Nacional de Segurança Pública.

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