Empresas reformam posto, em vez de tapar buracos

Subprefeito denuncia contratadas da Prefeitura e faz sindicância e BO; construtora desconhece irregularidade

Renato Machado, O Estadao de S.Paulo

31 de julho de 2009 | 00h00

Duas empresas são investigadas por realizarem serviços particulares no horário em que deveriam estar atuando pela Prefeitura e com material do poder público. Veículos e funcionários que realizam a Operação Tapa-Buraco foram flagrados por fiscais na quarta-feira quando reformavam a entrada de um posto de gasolina na Avenida Cel. Sezefredo Fagundes, em Santana, zona norte.A denúncia foi feita pelo subprefeito de Jaçanã/Tremembé, José Alcides Faneco, que passou pelo local por volta de 13 horas e viu dois caminhões com logos da Operação Tapa-Buraco, uma Kombi e um rolo compressor refazendo a entrada de carros do posto Hud Car. Segundo o subprefeito, o trabalho foi feito em uma área de cerca de 40 m de comprimento por 4 m de largura. Uma pavimentação comum sai por R$ 32 o m². "Será feita perícia no local, porque o trabalho foi mais complexo", diz Faneco, que admite a possibilidade de o serviço irregular ter sido feito em outros locais.Faneco alertou o responsável pela Subprefeitura de Santana. No entanto, ao investigarem, descobriram que as duas empresas prestam serviços no distrito de Jaçanã, portanto estavam fora da área de trabalho. Uma das empresas é a Construtora Anastácio, que oferece serviços de transporte de materiais. Quem executava a obra eram funcionários da Jarc Transporte Construção e Paisagismo, responsável pela Operação Tapa-Buraco no local. O contrato da subprefeitura com a Jarc é de R$ 21 mil por mês para cada equipe de trabalho. No total, são quatro grupos.A Prefeitura abriu inquérito administrativo para apurar o caso, que também foi registrado em BO no 73º Distrito Policial. "Abrimos um inquérito para apurar e, se conseguir, vou inabilitar essas empresas", diz o secretário de Coordenação das Subprefeituras, Andrea Matarazzo. Ele afirma que as irregularidades podem contar com a participação de funcionários da Prefeitura. Como há muitas obras e poucos fiscais, Matarazzo diz que há projetos para que os próximos prestadores de serviço tenham GPS nos veículos para serem fiscalizados.O gerente da Construtora Anastácio, Ronaldo Custódio, diz desconhecer as irregularidades, mas promete investigar. "Meu contrato com a Prefeitura prevê a locação de equipamentos com os operadores. Só que não tenho gerenciamento sobre eles, que chegam ao local previsto e ficam à disposição dos fiscais da Prefeitura", diz. A Jarc e o posto Hud Car foram procurados, mas não atenderam as ligações.

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