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Empresas terão de reparar dano a casas

Obras de prédios de luxo causaram rachaduras em 70 imóveis

Bruno Paes Manso, O Estadao de S.Paulo

11 de janeiro de 2008 | 00h00

Em setembro de 2005, um prédio de 21 andares e 2 subsolos começou a ser erguido pela construtora Ferreira de Souza num pacato quarteirão repleto de casas nas imediações do Parque do Ibirapuera, zona sul da capital. Pouco tempo depois, cinco imóveis vizinhos ao edifício passaram a sofrer com rachaduras e apresentaram problemas na fundação.Era só o começo da corrida das empreendedoras por terrenos com vista privilegiada para o Ibirapuera. Em março de 2006, foi a vez de a empreiteira Company iniciar a construção de um edifício de 18 andares e 2 subsolos. Um mês depois, outro espigão de 24 andares e 2 subsolos era levantado pela R. Yazbek. Como saldo final, cerca de 70 imóveis foram danificados por causa das obras."Em algumas casas, o chão afundou. Outras tiveram as paredes rachadas. Tentamos conversar com as construtoras, mas não chegamos a um acordo. Achávamos que nunca ganharíamos a briga contra empresas tão poderosas", diz a advogada Rafaela Locardi, moradora de uma das casas da região, que ingressou no Ministério Público com ação para não ter de arcar com os custos dos reparos de seus imóveis.Na terça-feira, veio a decisão que os moradores aguardavam. O juiz Carlos Gustavo Vinconti, da 14ª Vara da Fazenda Pública, concedeu liminar dando prazo de 90 dias para as construtoras iniciarem os reparos nas rachaduras, trincas, afundamento nas paredes, muros e tetos, sob pena de multa diária de R$ 10 mil.IPTA liminar também determina que a Prefeitura interrompa imediatamente o bombeamento de água no lençol freático do subsolo local pelas construtoras. Um laudo de técnicos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) já havia apontado que o rebaixamento do lençol freático da região, ocorrido em virtude das obras, era o motivo dos danos aos imóveis. Moradores afirmam que o bombeamento de água no subsolo continuou.Na terça-feira, um buraco surgiu no asfalto na Rua Joinville, na mesma região.A diretora da Ferreira de Souza, Beatriz Ferreira de Souza, afirmou que a empresa apresentou documentos comprovando que os problemas mais graves na região começaram só seis meses depois de o prédio da empresa ter ficado pronto. "Os vizinhos que tiveram problemas, nós reparamos." Procuradas pelo Estado, as empreiteiras R. Yazbek e Company e a Secretaria Municipal de Habitação não deram respostas à reportagem.

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