Empresas usam outdoors para ironizar Lei Cidade Limpa

?Sabe aquele carro modelo 2007? Eu também não.? Essa frase em tom de piada pode ser encontrada em várias ruas de São Paulo, estampada em outdoors. A brincadeira faz parte de uma campanha promovida desde o início de março pela Central de Outdoor para ironizar a Lei Cidade Limpa, que proíbe a mídia exterior na cidade.?O humor sempre foi um elemento importante da publicidade. Por que não usá-lo para chamar a atenção sobre o que está acontecendo com o setor??, disse Luiz Roberto Valente Filho, diretor da Central de Outdoor.São 210 peças, cuja exposição está amparada em liminar e espalhadas por avenidas como Sumaré, Faria Lima, Rebouças e Juscelino Kubitschek. Além da brincadeira do carro, seguida da frase ?Outdoor é lembrança de marca?, há outras duas mensagens irônicas: ?Vacinação contra o sarampo. Sabe quando?? e ?Hoje no teatro: qual era a peça mesmo??. Embaixo vêm os avisos de que outdoor é ?cultura? e ?utilidade pública?. A iniciativa, encampada pela Central de Outdoor, partiu da Clear Channel, multinacional americana de mídia externa, que encomendou a campanha à agência de publicidade Fuego Comunicação, de Curitiba (PR). ?Queremos mostrar que o outdoor, desde que regulamentado, é bom para as empresas e para quem obtém informação por meio dele?, afirmou Emilio Medina, presidente da Clear Channel no Brasil.Medina disse ainda que, a partir de sábado, 17, outras 210 peças receberão quatro novas mensagens. ?Grande queima de eletrodomésticos. Onde mesmo??; ?Que banco cobra menos juros? O da praça??; ?Ajude a .... a combater o ...?; e ?Tem um filme novo em cartaz. Que filme mesmo??. A campanha deve continuar enquanto não sejam derrubadas as liminares das empresas participantes. A maioria tem permissão para manter os outdoors até o dia 31 de março.Quem não levou muito na brincadeira a iniciativa foi o secretário de Coordenação das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, que coordena a retirada das peças. ?É uma campanha incompreensível, assim como o fato de eles insistirem em emporcalhar a cidade.? Ele disse que as campanhas de vacinação, por exemplo, são feitas por meio da TV e jornais.?Eles não percebem que a mídia evoluiu muito. Há jornais, TV e a internet.? Para ele, os empresários deveriam se preocupar em avisar donos de terrenos onde estão instalados outdoors da multa que podem receber - de, no mínimo, R$ 10 mil.Valente Filho rebateu as afirmações do secretário. ?Incompreensível é a Prefeitura nos aconselhar a buscar o mercado de outras cidades. Então o que é ruim aqui não é em outro lugar?? O setor se reúne segunda-feira, 19, no auditório do Museu de Arte Moderna, no Ibirapuera, para discutir alternativas ao Cidade Limpa, apesar de a Prefeitura já ter dito que não vai rever a legislação.Lei Cidade LimpaO projeto de lei, proposto pelo prefeito Gilberto Kassab (PFL) foi aprovado no dia 26 de setembro de 2006 na Câmara dos Vereadores e sancionada em outubro pelo prefeito. Conhecida como Lei Cidade Limpa, seu texto proibiu a presença de publicidade externa a partir do dia 1º de janeiro de 2007. Com a lei, as propagandas ficariam restringidas em espaços do mobiliário urbano, como pontos de ônibus, relógios públicos e placas de rua.A lei prevê pagamento de R$ 10 mil para cada propaganda irregular. A estimativa é de que na cidade existam cerca de 6 mil outdoors e 3 mil backlights. O que manda a lei Cidade Limpa: até o dia 31 de dezembro de 2006 todas as peças publicitárias externas precisariam ser retiradas da cidade. A multa para infratores é de R$ 10 mil. Prazo extra: anúncios nas fachadas de estabelecimentos comerciais devem atender às novas dimensões de propaganda até dia 31 de março de 2007.Exceções: anúncios históricos, como o relógio do banco Itaú, em cima do Conjunto Nacional, serão analisados caso a caso. Colaborou Alexandra Penhalver

Agencia Estado,

15 de março de 2007 | 11h02

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