AP
AP

Encíclica deve provocar nova reflexão na COP, afirma arcebispo de SP

Para d. Odilo Scherer, a carta publicada nesta semana pelo papa Francisco será 'uma grande referência' para discussões ambientais

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

19 de junho de 2015 | 15h40

SÃO PAULO - O cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, acredita que a encíclica sobre o meio ambiente deve provocar "uma nova reflexão" na 21ª Conferência do Clima (COP 21) das Nações Unidas, a ser realizada em Paris no final deste ano. A carta Laudato Si’ - Sobre o Cuidado da Casa Comum, a 298ª encíclica da Igreja Católica e a primeira a tratar de ecologia, foi publicada pelo papa Francisco nesta quinta-feira, 18.

"Imagino que a encíclica deverá provocar uma reflexão nova na Conferência em Paris. A posição do papa, naturalmente, já recebeu vários comentários de líderes internacionais, inclusive do presidente (Barack) Obama (dos Estados Unidos)", afirmou o arcebispo na manhã desta sexta-feira, 19, durante coletiva na Cúria Metropolitana de São Paulo. 

O documento do papa Francisco, classificado por d. Odilo como "uma nova luz" e "um novo alento", critica o atual modelo de desenvolvimento no mundo e a postura política e econômica dos países diante dos problemas ambientais. Para o arcebispo de São Paulo, a carta tem "indicações avançadas" e aborda uma visão "global" sobre o meio ambiente, mas também deve sofrer resistência de algumas lideranças políticas. "Isso é natural, reflete a tensão que existe e não deixará de existir com a publicação da encíclica", disse.

"Acredito que a encíclica será uma grande referência, daqui por diante, para toda discussão ambiental", afirmou d. Odilo. Ele defendeu, ainda, que a preocupação dos católicos com as questões ambientais não deve ser opcional, mas uma consequência da fé. "Se eu creio no Deus criador, não posso tratar mal a obra de Deus", afirmou. "O papa põe nesta encíclica que é preciso haver uma conversão ecológica - não é simplesmente uma conversão da ecologia. É a conversão do homem e sua relação com o ambiente."

Uma das funções da Igreja seria apontar linhas e princípios, afirma o arcebispo. No Brasil, Campanhas da Fraternidade, como a "Fraternidade e a Vida no Planeta", de 2011, já abordaram assuntos como aquecimento global e mudanças climáticas. "A encíclica é um enorme respaldo para esse trabalho que chamamos evangelizador: das novas formas de se relacionar com o ambiente e com a natureza", disse.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.