Osservatore Romano/AFP
Osservatore Romano/AFP

Encíclica 'Laudato Si' não é verde, mas social, afirma papa Francisco

Pontífice se reuniu no Vaticano com prefeitos de diferentes regiões do mundo para discutir mudanças climáticos e tráfico de pessoas

Camila Santos, Especial para o Estado

22 de julho de 2015 | 12h45

Atualizado às 13h33

CIDADE DO VATICANO - O papa Francisco participou de conferência realizada nesta terça-feira, 21, no Vaticano, que reuniu mais de 60 prefeitos de diferentes regiões do mundo - entre eles o de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB). A reunião abordou as mudanças climáticas e o tráfico de pessoas, considerado uma forma de escravidão moderna. Entretanto, o clímax da reunião foi a audiência com o papa, que, apesar de ter se tornado um herói das causas de proteção ao meio ambiente, afirmou que a Laudato Si "não é uma encíclica verde, mas uma encíclica social", segundo a Rádio Vaticano.

O pontífice reforçou que os problemas ambientais geram consequências negativas aos mais pobres. E disse ainda que, na vida social do homem, não deve haver separação em relação ao cuidado com o meio ambiente.  

"Já não podemos dizer a pessoa está aqui, a criação e o ambiente estão ali. A ecologia é total, é humana. Foi o que eu quis expressar na encíclica Laudato Si. Que não se pode separar o homem do resto", afirmou. 

O encontro dos representantes também pretendia promover a encíclica ambiental, que denuncia o fato de a economia mundial ser baseada em combustíveis fósseis, em detrimento da energia renovável.  

Francisco defende que a exploração da Terra e dos indivíduos mais vulneráveis e o aquecimento global propiciam o aparecimento frequente de "refugiados do meio ambiente", forçados a abandonarem suas casas por causa das secas e de outros desastres naturais gerados por influência humana. Nesse contexto, os indivíduos desfavorecidos tornam-se mais vulneráveis e têm suas vidas colocadas em perigo. 

Outra prioridade do papa é aumentar a conscientização a respeito do tráfico de pessoas e mostrar na conferência do Vaticano que ambos os temas estão relacionados. "As Nações Unidas têm que lidar com isso", disse.

Princípio humano. De acordo com o teólogo Fernando Altemeyer Júnior, doutor em Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o posicionamento do pontífice não é incomum, já que o papa Bento XVI, antecessor de Francisco, também apoiava o princípio humano das encíclicas ambientais.

"Mesmo que o foco seja a economia, a política ou a ecologia, tudo envolve a dignidade de cada ser humano", explicou o teólogo.

Altemeyer pontuou que a atitude de Francisco tinha o objetivo de ampliar a responsabilidade da população mundial diante da crise do meio ambiente e da maneira como os mais pobres são prejudicados por essas ações.

"Se falta água para um grupo que vive na África, por exemplo, é necessário que os detentores de recursos partilhem o que têm. É uma ação colaborativa", declarou Altemeyer.

O teólogo salientou que o homem deve estar ciente dos cuidados destinados aos mais necessitados para que, consequentemente, os danos ao Planeta Terra sejam revertidos.

"Não é só manter aquela visão estigmatizada do que é sustentabilidade. Isso é superficial. E o papa Francisco quer que a discussão saia da espuma e atinja a corrente subterrânea", concluiu o teólogo. /COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.