Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

Encontrada psicóloga que estava desaparecida no Rio

Karen Tannhauser, de 37 anos, foi encontrada dentro de um porta malas de um carro; ela estava sumida desde a tarde do último dia 31

Clarissa Thomé e Pedro Dantas, O Estado de S. Paulo

03 de janeiro de 2011 | 16h52

RIO - A psicóloga Karen Tannhauser, de 37 anos, foi encontrada em circunstância tão inusitada quanto o seu sumiço: dentro do porta-malas do carro do síndico do condomínio em que mora, no Jardim Botânico, zona sul do Rio. Sem ferimentos aparentes e suja de fezes, depois de permanecer três dias desaparecida, ela estava em estado de choque e não conseguiu contar para a família o que havia acontecido. Disse apenas: "É uma besteira pensar que alguém estava comigo. Eu fiz tudo sozinha". Ela foi levada para o Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon, onde passou por exames a partir do fim da tarde desta segunda-feira, 3.

Karen não era vista desde a tarde de 31 de dezembro. Ela foi filmada pelas câmeras de segurança chegando ao seu prédio na tarde de sexta-feira, mas não havia registro de que tivesse deixado o edifício. A polícia e amigos acreditam que a psicóloga possa ter sofrido um surto.

A 15.ª Delegacia de Polícia (Gávea) foi notificada do caso pela família no domingo. Sem mandado judicial, os agentes não entraram nos apartamentos. Vistoriaram áreas comuns do prédio: poço dos elevadores, cisterna, lixeira e corredores. A família temia alguma falha no sistema de segurança.

Na tarde de hoje, vizinhos auxiliavam os policiais andando por pontos da garagem - único acesso ao prédio, já que a outra passagem está em obras - para que os agentes pudessem observar se havia algum ponto cego onde as câmeras não conseguiriam captar as imagens. Nesse momento, Karen foi encontrada pelo síndico no porta-malas do seu carro. A irmã, Patrícia, foi chamada, mas teve medo de encontrar Karen morta. Pediu que uma vizinha fosse na frente. "Pode vir, Patrícia, que ela está viva e em pé". Inicialmente, a psicóloga não reconheceu a irmã. Apenas pediu água.

Não se sabe como Karen foi parar no Palio. O veículo foi usado pelo proprietário na manhã de ontem, quando foi ao supermercado. Na volta, retirou as compras do porta-malas e deixou o compartimento aberto, enquanto subia ao seu apartamento. Pediu ao filho adolescente que voltasse para fechar o carro. O garoto já teria encontrado a porta um pouco abaixada e apenas a forçou. Por volta das 14 horas, o síndico desceu para pegar ferramentas. Ao abrir o veículo, Karen saltou do porta-malas.

"Não é um caso policial. Se é um caso médico, os profissionais da área vão avaliar", disse a delegada Bárbara Lomba. "Ela está muito abalada e não quis forçá-la a falar. Ela agiu por questões pessoais". De acordo com a delegada, Karen passou os três dias vagando pelo prédio. Amigos contaram que ela está sob tratamento psiquiátrico e toma antidepressivos. A psicóloga receberia alta ainda nesta segunda e seguiria para a casa de uma amiga.

Karen e a mãe, Sônia Tannhauser, saíram de casa na manhã de sexta-feira e foram a um salão de beleza no Shopping da Gávea. A psicóloga comprou um vestido para o réveillon e, de lá, foi almoçar com o namorado, que a deixou em casa às 14 horas. Quando Sônia voltou para casa, não encontrou a filha. A família começou a procura por Karen quando o namorado apareceu para buscá-la para uma festa, às 19h30 - no quarto, encontraram objetos pessoais, como o celular, carteira, documentos e o vestido que havia comprado para a virada do ano.

Ontem pela manhã, Sônia havia feito um apelo emocionado. "Eu como mãe peço a quem souber onde está a Karen que ligue para a gente. Nós vamos recebê-la de braços abertos. Está todo mundo querendo saber onde ela está, como está, dê uma notícia para a gente. A gente está de mãos atadas e não sabe o que fazer - só sabe rezar e chorar", afirmou.

 

Texto atualizado para correção.

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