Encontrado corpo da 11ª vítima das chuvas no Maranhão

Com mais essa, total de mortes em decorrência das chuvas em todo o País subiu para 46

Elvis Pereira, da Central de Notícias e Wilson Lima, de O Estado de S. Paulo com Agência Brasil,

20 de maio de 2009 | 18h11

O Corpo de Bombeiros do Maranhão encontrou no início da tarde desta quarta-feira, 20, o corpo de Oseias Vieira Passos, de 20 anos. O jovem havia sumido na manhã de segunda, 18, no Rio Negro, na cidade de Anapurus. Com esse caso, subiu para 11 o total de mortes provocadas no Estado pelas chuvas. Esse saldo ainda pode aumentar. Uma pessoa permanece desaparecida. Essa foi a segunda morte em menos de uma semana. Na sexta-feira, uma garota de 12 anos morreu depois de ter sido levada por uma correnteza do rio Paranaíba, na cidade de Coelho Neto.

 

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Estado com o maior número de cidades atingidas pelas chuvas no País, 95, o Maranhão teve 367.005 afetados pelos temporais. Mais de 124 mil foram obrigados a abandonar suas casas. Cerca de 80 mil deles estão na residência de parentes e amigos e o restante, em abrigos públicos.

 

Com mais essa, total de mortes em decorrência das chuvas em todo o País subiu para 46. A ocorrências aconteceram em sete Estados do Nordeste e um da Região Sul: Ceará (15), Maranhão (11), Bahia (7), Alagoas (7), Paraíba (2), Sergipe (2), Pernambuco (1) e Santa Catarina (1).

 

Segundo a Defesa Civil, o número de municípios que registraram danos por conta dos temporais é de 407 localizados em 13 Estados. Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Acre, Amazonas, Pará e Santa Catarina. Mais de 254 mil pessoas estão desalojada e cerca de 123 mil estão desabrigadas.

 

O Maranhão é o Estado mais com o maior número de municípios atingidos, com 95. Quase metade dos municípios maranhenses decretaram estado de emergência e, segundo dados de algumas Secretarias de Saúde Municipais, o número de doenças relacionadas às enchentes triplicou em alguns casos.

 

O grande número de desabrigados tem causado alguns problemas de distribuição de donativos no Maranhão. Pelos dados da Defesa Civil, pelo menos 400 toneladas já chegaram ao Maranhão e nesta quarta-feira surgiram denúncias de que alguns dos donativos não estavam chegando às vítimas das chuvas. A Defesa Civil negou essa informação. Atualmente, cinco helicópteros estão fazendo o trabalho de entrega de alimentos (um da aeronáutica, um da marinha, um da Polícia Rodoviária Federal, e dois da Polícia Militar do Maranhão) e 100 voluntários de São Luís já se disponibilizaram a ajudar na assistência às vítimas.

 

De acordo com o superintendente de Epidemiologia e Controle de Doenças da Secretaria de Saúde Estadual, Henrique dos Santos, já foram confirmados casos de pessoas com leptospirose, hepatite A, dermatoses, diarreia, gripe, amigdalite e conjuntivite.

 

Na Região Norte, é no Estado do Amazonas onde se encontra o maior número de municípios atingidos, 47. Em Santa Catarina, os danos causados pela chuva atingiram 10 municípios.

 

Bahia

 

Levantamento feito pela Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (Smec) de Salvador informa que 94 das 414 escolas da rede tiveram algum tipo de prejuízo estrutural por causa das fortes chuvas que atingem a cidade desde meados de abril. Dessas, 49 precisam de reparos urgentes, em geral relacionados a telhados quebrados, muros caídos e tubulações rompidas. Três delas estão condenadas. Estima-se que, em dia de chuva, 20 mil crianças, da pré-escola e dos ensinos básico e fundamental, fiquem sem aulas na cidade, por causa dos problemas.

 

De acordo com a assessoria da Smec, foram iniciadas obras de reparo em dez instituições, mas os trabalhos têm sido prejudicados exatamente pela chuva. O montante disponibilizado para os reparos é de R$ 23 milhões, R$ 5 milhões a mais do que no ano passado.

 

Uma escola, a Oswaldo Cruz, no bairro do Rio Vermelho, com problemas diversos de infiltração e corrosão nas vigas estruturais, tem demolição prevista para o segundo semestre. No local, será construído um novo prédio, orçado em R$ 1,5 milhão. Não há previsão para a conclusão das obras.

 

Enquanto isso, os 200 alunos têm frequentado a sala paroquial da Igreja de Santana, no mesmo bairro. Como não há espaço para todos os estudantes, eles têm se revezado no uso do espaço. Cada turma tem aulas duas vezes por semana. A Smec informa que é uma situação emergencial, tomada depois que os alunos ficaram sem aulas por duas semanas, e que está sendo procurado um local, no bairro, capaz de abrigar os estudantes.

 

(Com Tiago Décimo, de O Estado de S. Paulo)

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