Encontrados 31 corpos de naufrágio até agora

O comando do 4º Distrito Naval informou que 31 pessoas morreram afogadas no Rio Pará, até agora, durante o naufrágio do barco D. Luiz XV, na madrugada desta quarta-feira, em Barcarena, a 45 quilômetros de Belém. Os números parciais do acidente revelam que 303 pessoas foram resgatadas com vida, enquanto outras 25 ainda estão desaparecidas.Equipes de mergulhadores da Marinha, do Corpo de Bombeiros e homens da Defesa Civil não arriscam uma previsão sobre o número final de mortos, mas acreditam que mais corpos devam ser encontrados até domingo. "Não sabemos se muitos dos 25 ainda desaparecidos morreram ou deixaram o barco em algum porto próximo de Barcarena antes do acidente", disse o tenente Brito, que comanda as buscas.O barco tinha capacidade para transportar 140 pessoas, mas conduzia mais de 350, além de 28 toneladas acima do que podia suportar o porão de carga. "Cada vez mais estamos convencidos da grande irresponsabilidade e da ganância dos responsáveis pela embarcação, que não se importaram com o sacrifício de vidas humanas", afirmou o capitão dos Portos da Amazônia Oriental, Jaerte Bazyl.O dono do barco, Carlos Augusto Gomes da Silva, está preso desde esta quinta-feira em Barcarena e já foi ouvido no inquérito policial aberto pelo delegado João Medeiros. Negando qualquer responsabilidade pelo acidente, Silva admitiu a superlotação, mas acredita que o barco afundou devido a problemas mecânicos. "O motor parou, o barco se inclinou e começou a afundar", resumiu.Silva disse que o barco foi alugado em Manaus por R$ 7 mil para o empresário Antônio Júnior, filho do deputado estadual pelo Antônio Rocha (PMDB-PA), dono da empresa Enart, agraciada este ano pela Capitania dos Portos por navegar com "segurança" pelos rios amazônicos. Depois de alugar o barco, a Enart, ainda segundo Silva, ficou encarregada de transportar os passageiros entre Manaus e Belém. Os donos da Enart culpam Silva pelo acidente, dizendo ter sido ele o responsável pela superlotação de passageiros e cargas.Enquanto um joga a culpa em cima do outro, as famílias dos sobreviventes lutam para superar o trauma do naufrágio e recomeçar suas vidas. A maioria perdeu documentos e dinheiro. Outros, viram parentes e amigos que não sabiam nadar sumirem no rio sem que eles nada pudessem fazer para salvá-los. Morando em dois abrigos em Barcarena e Benevides, 132 pessoas esperam das autoridades do Pará passagens e roupas para voltar aos seus Estados de origem.

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