AO VIVO

Acompanhe notícias do coronavírus em tempo real

Encontrados medicamentos trocados em hospital do RJ

A Vigilância Sanitária do RJ determinou a interdição cautelar dos medicamentos Cortisonal e Succinil Colin, fabricados pela União Química, depois que equipes da fiscalização encontraram dois frascos do antiinflamatório Cortisonal em uma caixa lacrada do anestésico Succinil. O material estava na farmácia do Hospital Municipal Salgado Filho, no Rio.A suspeita é de que a troca dos dois remédios pode ter provocado a morte de quatro bebês na instituição na última quinta e sexta-feira. Há outro caso de morte de bebê sendo investigado. Uma hipótese é de que funcionários do hospital tenham injetado o anestésico nas crianças - o que paralisaria o sistema respiratório - em vez do antiinflamatório.O presidente da União Química, Fernando de Castro Marques, garante que medicamentos diferentes não podem ser embalados na mesma caixa. Ele alega que todo o processo de embalagem dos frascos é automático e a produção dos remédios não é simultânea. Além disso, as tampas do Cortisonal e do Succinil são de cores diferentes, justamente para evitar confusões."É uma segurança a mais", afirmou. "Com certeza essa é uma tentativa de dividir responsabilidade pelas mortes, mas essa troca, se ocorreu, foi dentro da farmácia do hospital e não temos acesso ao que acontece lá dentro".O deputado Paulo Pinheiro (PT), presidente da Comissão de Saúde da Assembléia Legislativa, considera possível que a pediatria receba caixas lacradas de cortisona - onde poderia ter por engano, frascos do Succinil. "Mas nada justifica que na hora de injetar um medicamento na criança o profissional não olhe o rótulo no frasco", afirmou.Pinheiro criticou a Lei Federal 2.208, que regulamenta a profissão de auxiliar de enfermagem e não exige formação escolar mínima. O deputado criticou o fato de 14 frascos do Succinil estarem armazenados na enfermaria pediátrica. "Esse medicamento precisa de receita médica obrigatória e tem que ser buscado na farmácia do hospital cada vez que for solicitado", disse.DepoimentosO delegado titular da Delegacia de Repressão a Crimes contra a Saúde Pública, Augusto Paiva, deveria receber até o fim da tarde de hoje a relação de profissionais que estavam de plantão na pediatria quando as quatro crianças morreram, logo após receberem a medicação intravenosa. Ele quer ouvir os enfermeiros da unidade nos próximos dias.De acordo com Paiva, foi feita necrópsia nos corpos dos meninos Renan Viana Lemos, de 5 meses, e Marcos Paulo Félix, de 2 meses. O delegado quer saber se há vestígios do Succinil no corpo das crianças. O laudo do Instituto Médico Legal sai em cinco dias. "Obtive informação de que o medicamento some rapidamente do organismo e a exumação dos corpos já enterrados pode não surtir efeitos", afirmou.

Agencia Estado,

04 de junho de 2001 | 21h36

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.