Encontro decepciona parentes

Comando da Marinha no Recife explicou às famílias procedimentos adotados nas buscas

Talita Figueiredo, O Estadao de S.Paulo

06 de junho de 2009 | 00h00

O grupo de parentes das vítimas do voo AF 447 levado na manhã de ontem ao Recife, para se reunir com o comando da Marinha e Aeronáutica, voltou decepcionado. Newton Marinho, irmão do mecânico de plataforma de petróleo Nelson Marinho, disse que se sentiu em um "teatro". "Fiquei frustrado. Para ver o que vi lá, teria ficado aqui (no Rio)", disse. A comissão formada por 13 pessoas chegou ao Cindacta III em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) por volta das 9h30 e conversou a portas fechadas com os militares por pouco mais de duas horas.Marinho contou que os parentes ouviram explicações de oficiais sobre os procedimentos adotados nas buscas. Logo depois, embarcaram de volta ao Rio. À noite, em entrevista coletiva no Recife, o brigadeiro Ramon Borges Cardoso, diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo da Força Aérea Brasileira (FAB), disse que não entendia as críticas de Marinho. "Só ele pode explicar o que quis dizer com ?teatro?. Porque todas as pessoas com quem conversei acharam o resultado da reunião satisfatório e agradeceram."O grupo chegou de volta ao hotel na Barra da Tijuca, onde estão hospedados, por volta das 17 horas. Marinho elogiou o trabalho de busca feito pelo governo brasileiro, mas disse que tinha esperanças de ver parte dos destroços encontrados no mar. Para ele, a ida ao Recife "mostrou a realidade", querendo dizer que não há esperança de encontrar sobreviventes.Os parentes criticaram as informações, depois desmentidas, do Ministério da Defesa, de que haviam destroços do avião perto das ilhas São Pedro e São Paulo. "Isso causa uma diminuição da expectativa de encontrar vida e aumenta a indignação", disse Maartem Van Sluys, gerente de hotel, irmão da jornalista Adriana Francisca, que também estava no voo.No Recife, onde os parentes não falaram à imprensa, o capitão da Fragata Constituição, Giucemar Cardosa Tabosa, considerou a reunião positiva. "Passamos para o grupo informações sobre o esforço que estamos fazendo, assim como as dificuldades que estamos enfrentando na operação", afirmou. POLÍCIA FEDERALOs parentes contaram que ontem pela manhã se reuniram com agentes da Polícia Federal, que começariam a coletar informações sobre as vítimas e, em alguns casos, material genético para possível confrontação, caso sejam encontrados corpos."Eles querem informações como tipos de prótese usadas pelos passageiros, se têm tatuagem, se usam piercings, marca-passos, a estatura de cada um e até fios de cabelos que possam ter ficado em escovas, para fazer a identificação, se aparecer algum corpo", disse o advogado Marco Túlio Marques, filho do casal José Gregório e Maria Tereza, que estava no voo. A Superintendência da PF no Rio informou que não vai se pronunciar sobre o caso. Segundo Marques, a PF informou que vai disponibilizar aparato para que parentes, onde quer que estejam, forneçam amostras de saliva para a realização de DNA.CONFUSÃOMaartem Van Sluys tem sido alvo de críticas de boa parte dos parentes das vítimas, por se apresentar como representante do grupo.Levada por ele ao hotel, a presidente da Associação Brasileira de Parentes de Vítimas de Acidentes Aéreos, Sandra Assali, não teve, até 20 horas de ontem, acesso à sala reservada às famílias.

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