Endividado, partido pechincha para alugar comitê da candidata

O comando da campanha petista encontrou um imóvel para abrigar o comitê eleitoral de Dilma Rousseff, mas ainda não fechou o negócio porque está pechinchando o valor do aluguel. O prédio fica bem próximo ao Diretório Nacional do PT, no Setor Comercial Sul, em local de grande movimento na capital da República.

, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2010 | 00h00

O aluguel pedido é de R$ 42 mil mensais, mas o PT tenta reduzir o valor para R$ 30 mil, sob a alegação de que o metro quadrado da sede do Diretório, perto dali, é mais barato. Além disso, os três andares a serem ocupados (térreo, sobreloja e primeiro piso) também precisam de reforma. O PT ainda tem R$ 40 milhões de dívida, herança da época do tesoureiro Delúbio Soares - o único expulso do partido, em 2005, no rastro do escândalo do mensalão.

O atual tesoureiro, João Vaccari Neto, é apontado pelo Ministério Público de São Paulo como responsável por desvio de recursos na Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop). Ex-presidente da Bancoop, ele nega que o dinheiro da entidade tenha migrado para campanhas do PT, mas, de qualquer forma, a volta do assunto ao noticiário criou agenda negativa para Dilma dias após sua aclamação como candidata à cadeira do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A indicação de Vaccari para a Secretaria de Finanças do PT, no mês passado, passou pelo crivo de Lula. O presidente conhece Vaccari desde a época em que era sindicalista. Trata-se de homem da sua confiança. Detalhe: Lula é o mais ilustre cooperado da Bancoop e espera há anos a entrega de uma cobertura que comprou, mas não levou, na praia das Astúrias, no Guarujá (SP).

A campanha de Dilma, porém, terá outro tesoureiro. Dirigentes do PT tentam convencer o ex-prefeito de Diadema José di Filippi Júnior a assumir a tarefa, mas ele tem recusado. Candidato a deputado federal, Filippi cuidou do comitê financeiro de Lula, em 2006.

Além do comitê central, que será inaugurado somente em julho, o PT vai alugar para Dilma uma casa e um escritório para ela despachar. O partido também pagará um salário para a candidata, de cerca de R$ 10 mil mensais.

Coordenada pelo presidente do PT, José Eduardo Dutra, a equipe da campanha ganhou reforço. Clara Ant, que chefia o gabinete de apoio à Presidência desde 2003, será deslocada para o comitê. O secretário-geral do PT, José Eduardo Martins Cardozo, não disputará novo mandato de deputado e também foi escalado para o time.

Desde o ano passado, um núcleo composto por ministros e dirigentes do PT se reúne semanalmente com Dilma e o marqueteiro João Santana. Do grupo fazem parte o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e o deputado Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda.

Palocci terá a missão de aproximar a candidata dos empresários. Pimentel, amigo de Dilma, cuida dos bastidores, mas quer entrar na corrida ao governo de Minas. O desfecho da novela mineira sobre a escolha de um nome do PT ou PMDB à sucessão do governador tucano Aécio Neves é hoje o principal desafio para o casamento de papel passado entre os dois partidos.

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