Enem: 52% das redações devem ter 3 correções

MEC torna avaliação mais rígida, reduzindo nota de discrepância entre os dois corretores

Paulo Saldana e Victor Vieira,

05 Setembro 2013 | 23h22

Mais da metade das redações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deve passar por um terceiro corretor neste ano. A estimativa é do próprio Ministério da Educação (MEC), que tornou mais rígido o sistema de correção.

As redações são corrigidas por dois corretores e, quando há discrepância, seguem para a terceira leitura. Com as novas regras - que diminuem o limite dessa variação de nota -, o MEC estima que 52% dos textos devam passar pelo terceiro corretor, contra 21% em 2012.

Para isso, a pasta anunciou nesta quinta-feira, no lançamento do guia da redação do Enem, um aumento de 70% no número de corretores. Farão parte da banca de avaliadores 9,5 mil profissionais.

A redação tem sido o ponto mais polêmico do Enem. No ano passado, o MEC passou a permitir que o estudante tenha acesso ao texto corrigido. Desde então, surgiram redações nota máxima com erros e composições com deboches - um deles trazia uma receita e outro, o hino de um time. Agora, provas com deboche serão zeradas.

Já os "desvios gramaticais serão aceitos como excepcionalidade e quando não caracterizarem reincidência". Como exemplo, foi mostrado o texto de uma estudante que escreveu "espanhóis" três vezes, uma dela incorretamente. "O entendimento dos nossos especialistas é que isso mostra o completo domínio da norma culta. Você tem uma pessoa jovem sob pressão", disse Luiz Claudio Costa, presidente do Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas Educacionais (Inep).

 

Guia. Se a discrepância entre os dois primeiros corretores for de mais de 100 pontos, em um total de mil, o texto seguirá para o terceiro. Diferença superior a 80 pontos em uma das cinco competências avaliadas também levará o texto à revisão.

O professor Francisco Platão Savioli, supervisor de redação do Anglo, entende ser positivo os textos passarem por mais corretores. "Três olhares vão ver mais detalhes, leva a uma avaliação mais aguda", diz ele, docente aposentado da USP.

No Enem, os corretores fazem parte da formação a distância e as correções, em casa. Neste ano, a capacitação será ampliada de 108 para 136 horas. / COLABOROU LISANDRA PARAGUASSU

 

GUIA DOS TEXTOS

Avaliação. Dois corretores dão notas entre 0 e 200 para cada uma das cinco competências avaliadas. A nota final varia entre 0 e 1.000.

Discrepância. A diferença máxima entre as notas é de 100 pontos - até 2012, o limite era de 200. Além disso, a diferença nas competências não pode passar de 80 pontos.

Outra opinião. Ultrapassado o limite, o texto é levado a um terceiro corretor. Caso persista a discrepância, a avaliação será feita por uma banca com três professores.

Nota zero. Desenhos, palavrões, fuga total do tema, desrespeito aos direitos humanos e textos com menos de sete linhas anulam a redação.

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