Reprodução Twitter/Waldez Goes
Reprodução Twitter/Waldez Goes

Energia no Amapá é restabelecida 100%, diz ministério

Energização do equipamento essencial para a normalização do fornecimento de energia ao Estado estava prevista para ocorrer até quinta-feira, 26

Luciana Collet, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2020 | 10h33

Após 22 dias, o fornecimento de energia elétrica no Estado do Amapá foi 100% restabelecido nesta terça-feira, 24, com a energização do segundo transformador na subestação Macapá. A informação é da distribuidora de energia e do Ministério de Minas e Energia. Foram três semanas de uma crise energética que provocou cenas dramáticas para a população. Além da falta de energia, que deixou boa parte da periferia da capital Macapá no escuro, o amapaense sofreu com a falta de alimentos e de água tratada.

A energização do equipamento, essencial para a normalização do fornecimento de energia ao Estado, estava prevista para ocorrer até quinta-feira, 26, mas ontem o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), André Pepitone, sinalizou que essa operação poderia ser antecipada. Já o MME indicou, na noite de ontem, que o equipamento seria submetido a testes. O anúncio do término do rodízio foi feito pela Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) às 8h12 desta terça.

A Linhas de Macapá Transmissora de Energia (LTME) também divulgou comunicado informando que restabeleceu a carga de energia em dois transformadores na sua subestação na madrugada desta terça-feira, 24. "A LMTE está integralmente mobilizada desde o acidente e trabalhou incansavelmente em conjunto com os demais órgãos governamentais para que a carga voltasse a 100% antes do prazo máximo estabelecido (26/11). A companhia reforça que se solidariza com todos os amapaenses e informa que seguirá empenhada a minimizar os impactos e em transportar energia segura para o estado do Amapá", afirmou a empresa, em nota.

Terror no Amapá

As dificuldades dos amapaenses começaram no dia 3 de novembro, quando a subestação de energia elétrica da capital Macapá pegou fogo e provocou um blecaute em 13 dos 16 municípios. A energia começou a ser restabelecida no dia 7, mas em regime de rodízio. Um novo apagão no Amapá ocorreu na noite de 17 de novembro.

Sem energia, moradores viveram dias de terror no Amapá. Como mostrou o Estadão, o rodízio de luz atendeu principalmente bairros nobres, enquanto a periferia passou dias no escuro. Os moradores não tinham informações sobre os critérios do rodízio para escolha dos bairros religados nem sobre os períodos em que a energia estaria disponível nas tomadas. 

A crise afetou o fornecimento de água e as telecomunicações, gerou uma corrida aos postos de combustíveis que tinham geradores de energia. As pessoas tinham dificuldade de comprar itens básicos. Muitas recorreram a lagos, poços e ao Rio Amazonas para recolher água para o banho e para beber, mesmo que ela não seja potável. Além disso, a crise provocou prejuízos a comerciantes que não conseguiam manter alimentos refrigerados. Muitos tiveram prejuízos que dificilmente serão recuperados. Foi difícil ficar em casa. Uma queixa comum foi a impossibilidade de usar ventiladores e ar-condicionado. Com isso, os carapanãs, infernais mosquitos borrachudos da Amazônia, aproveitam as janelas abertas para tornar as noites quentes ainda mais desagradáveis.

Os protestos contra a situação dramática foram reprimidos com rigor. Na noite de sábado, 7, e madrugada de domingo, um protesto em Remédios II, no município de Santana, a 20 quilômetros de Macapá, foi reprimido pela tropa de choque do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar. Os agentes dispersaram a manifestação, que bloqueou com fogo e pneus uma das vias de acesso à cidade, de cerca de 120 mil habitantes. Foram registrados pela Polícia Militar (PM) mais de 120 protestos contra o apagão desde o dia 6 de novembro.

Visita de Bolsonaro

No último sábado (21), depois de 19 dias de crise e dois apagões no estado, o presidente Jair Bolsonaro visitou o Amapá. Durante a visita, geradores termoelétricos começaram a funcionar parcialmente. Bolsonaro reconheceu que a população amapaense passou por dificuldades, mas afirmou que o governo federal prestou assistência. "Demoraria 90 dias para ser restabelecido (a energia). Mesmo não sendo atribuição federal, nós mergulhamos, especialmente por pedido do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre", disse o presidente.

O Senado chegou a aprovar um projeto de lei que prevê compensações para consumidores atingidos pelo apagão. A proposta ainda depende da Câmara dos Deputados e de sanção presidencial. Uma medida provisória, por outro lado, passa a valer assim que assinada. Além disso, o projeto do Senado foi questionado pela Consultoria Legislativa da Casa, que avaliou risco de o texto encarecer o preço da conta de luz para todo o País e até causar novos apagões.

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