Enfermeiras negarão troca de remédio em morte de bebês

As enfermeiras e auxiliares de enfermagem que estavam de plantão nos dias em que cinco crianças morreram no Hospital Salgado Filho vão negar, no primeiro depoimento à polícia, que trocaram o antiinflamatório Cortisona pelo anestésico Succinil Colin. Elas admitem que a piora dos bebês após receberem a medicação levou-as a suspeitar de troca, mas garantem que "seguiram normas técnicas de procedimentos". Essas informações são do consultor jurídico do Conselho Regional de Enfermagem (Coren-RJ), José Alfredo Ferreira, que reuniu-se hoje com 16 profissionais de enfermagem que estavam de plantão. Somente oito delas foram convocadas a depor até agora. "Elas são profissionais com média de 20 anos de experiência, que lidam com vidas jovens", afirmou Ferreira. "Quando perceberam a reação das crianças, elas acionaram o clínico. De imediato falou-se em troca de medicamentos, mas isso não foi comprovado junto aos setores de farmácia e laboratório". O delegado titular da Delegacia de Repressão a Crimes contra a Saúde Pública, Augusto Paiva, está convencido de que o erro que resultou na morte de cinco crianças ocorreu após a prescrição dos remédios. "A priori, não foi erro médico", afirmou Paiva. "Pelos prontuários das crianças que examinei até agora, os médicos realmente haviam receitado o antiinflamatório". Peritos do Instituto Médico Legal exumaram os corpos dos bebês Rodelson dos Santos Flores Júnior e Fenando André da Silva Soares, ambos de quatro meses. Dos cinco bebês que tiveram morte suspeita no Hospital Municipal Salgado Filho, na última semana de maio, somente os dois não haviam sido submetidos ao exame cadavérico. Paiva espera encontrar resquícios do anestésico Succinil Colin.

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