"Enfiei a faca nela?, diz Farah

Ao ser interrogado nesta sexta-feira durante duas horas pelo juiz Marco Antônio Martin Vargas, do 2.º Tribunal do Júri, o cirurgião plástico Farah Jorge Farah, de 53 anos, acusado de esquartejar a amante Maria do Carmo Alves, de 46, confessou: "Enfiei a faca nela e não sei quantos golpes dei." Ele disse que Maria do Carmo chegou alterada a seu consultório, falando ofensas, e os dois acabaram discutindo. Em seguida, segundo o médico, ela apanhou uma faca e tentou agredi-lo. Ele contou que conseguiu desarmá-la.Farah disse ainda que na sexta-feira Maria do Carmo tinha ligado "mais de dez vezes" para ele, chegando a prejudicar seu trabalho. Para que tivesse sossego, pediu para que sua secretária tirasse o telefone do gancho. À tarde, Farah contou que ligou para Maria do Carmo, pedindo que ela se acalmasse e fosse conversar com ele no sábado.O médico disse que se lembrava de que havia sangue no chão do consultório, que ele limpou usando pano e produtos de limpeza. A partir daí, Farah garantiu que só se lembra de ter ido dormir e acordado no sábado de manhã. A respeito dos sacos de lixo, onde estavam pedaços do corpo de Maria do Carmo, Farah declarou que se lembrava de que havia três volumes e que neles tinha um corpo.De acordo com o promotor Orides Boiate, Farah pouco acrescentou aos depoimentos feitos antes à polícia, quando alegou ter sofrido um lapso de memória e, por isso, não sabia detalhar o assassinato. "Ele continuou sua estratégia de dizer que não se lembrava de nada", disse Boiate.CiúmesO médico recordou o relacionamento com a amante desde 1997 e fatos que antecederam o crime. Disse que ela pressionava, assediava e fazia escândalos, além de ameaçar seus pais, motivos que o levaram a registrar oito boletins de ocorrência. Maria do Carmo chegou a ser condenada por perturbar seu sossego. Nessa época, Farah afirma ter ligado para o marido de Maria do Carmo, informando que não tinha mais nada com ela. O médico contou também que ficou noivo de uma jovem que chegara de Israel, o que aumentou o ciúme da ex-amante.No depoimento ao juiz, ele fez uma declaração que não constava no processo. Disse que Maria do Carmo estava aliada a uma mulher chamada Maria da Graça para persegui-lo. Maria da Graça seria uma cliente do médico que, juntamente com outras, pretende processar Farah por abusos cometidos durante exames."Para mim a declaração não foi surpresa, pois estamos investigando isso. Acho que a citação é uma antecipação da estratégia da defesa, pois o nome de Maria da Graça pode surgir a qualquer momento", disse Boiate.O advogado de Farah, Roberto Podval, negou que seja uma estratégia. "Antes do crime, Farah contratou uma advogada para entrar com uma ação cautelar e descobrir o dono de um celular, do qual uma pessoa ligava fazendo ameaças", informou Podval. "A ação correu na 3.ª Vara Criminal de Santana, que acaba de conceder autorização para que a Telefônica informe o nome do proprietário do telefone."

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